Delator revela que Vorcaro escondeu destino de dinheiro enviado aos EUA para filme sobre Bolsonaro

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Empresário revela detalhes sobre transferências financeiras relacionadas a filme sobre Bolsonaro.

O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, fez declarações à Polícia Federal em um acordo de delação premiada, afirmando que não foi informado sobre o uso de transferências para um fundo nos Estados Unidos para financiar o filme “Dark Horse”, que retrata a biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Mineiro, que atuou na movimentação financeira para o Banco Master, declarou que não teve contato com figuras políticas, incluindo o senador Flávio Bolsonaro, durante a operação. Ele tentou recuperar o investimento ao descobrir o verdadeiro destino dos recursos, mas sem sucesso.

A Polícia Federal observou contradições entre os depoimentos de Mineiro e documentos que estão sendo analisados na investigação. O órgão solicitou ao Supremo Tribunal Federal um prazo adicional de 90 dias para aprofundar a apuração dos fatos.

Informações reveladas anteriormente indicam que Flávio Bolsonaro negociou diretamente com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro sobre o repasse dos valores. Mineiro afirmou que a operação foi apresentada como um investimento em um fundo destinado ao desenvolvimento imobiliário nos Estados Unidos, particularmente no Texas e na Flórida, associado ao advogado Paulo Calixto, próximo ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro.

Em seu depoimento, Mineiro enfatizou que não foi informado em nenhum momento sobre o financiamento de um filme, afirmando que não participaria de uma operação com tal risco reputacional para suas empresas.

O depoimento foi realizado em 1º de outubro e Mineiro relatou que a demanda para transferir US$ 12,3 milhões ao exterior partiu de Fabiano Zettel e foi confirmada por Vorcaro. A previsão total de repasse para o filme seria de US$ 24 milhões.

Os repasses foram realizados por meio da Entre Investimentos para o fundo Havengate, administrado por Paulo Calixto. Mineiro afirmou que tomou conhecimento do verdadeiro propósito do fundo através de informações veiculadas pela imprensa e solicitou o resgate integral dos valores transferidos, além de um balancete demonstrativo, mas não obteve resposta.

Os recursos para os aportes, segundo Mineiro, foram obtidos através de saques da conta garantida no Banco Master, vendas de ativos e caixa próprio. A PF, em análise preliminar, confirmou os valores e instituições mencionadas, mas identificou divergências que precisam ser investigadas mais a fundo.

Entre as inconsistências apontadas, está uma carta-acordo que menciona um compromisso de aporte de US$ 24 milhões e a produção de um filme. Além disso, a PF destacou que o primeiro aporte não foi custeado conforme declarado por Mineiro, pois houve um depósito anterior significativo na conta da Entre.

Os investigadores também notaram fragilidades nos documentos que comprovam os pagamentos, incluindo a falta de documentação para algumas remessas.

Até o momento, a campanha de Flávio Bolsonaro, assim como as assessorias de Vorcaro e Calixto, não se manifestaram sobre as alegações. A PF também ressaltou que os documentos analisados não permitem identificar as contas bancárias de origem dos recursos enviados pela produtora do filme, limitando-se a demonstrar os valores e as contas beneficiárias.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, declarou que, caso vença as eleições, seu irmão Eduardo não será nomeado para o cargo de ministro das Relações Exteriores, e que seu pai não ocupará cargos no governo.

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