Delegados da PF rebatem declarações de Lula sobre agentes que ‘fingem trabalhar’

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Delegados da Polícia Federal rebatem críticas do presidente Lula sobre atuação da corporação.

A Associação dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) manifestou sua preocupação em relação às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a suposta falta de atuação dos integrantes da corporação. A entidade considera que as afirmações do presidente colocam em dúvida o comprometimento dos delegados e simplificam de maneira inadequada a questão da segurança pública e o combate ao crime organizado.

Em uma fala recente, Lula afirmou ter solicitado ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, a convocação de delegados que estão fora da corporação para atuar no enfrentamento ao crime organizado. O presidente mencionou que apenas aqueles que estivessem “fingindo trabalhar” ficariam de fora dessa convocação.

No comunicado, a ADPF destacou que atualmente 53 delegados estão cedidos a outros órgãos, o que representa menos de 3% do total de delegados em atividade. Para a associação, essa quantidade não justifica as críticas do presidente nem sustenta a expectativa de um impacto significativo no combate ao crime organizado.

A entidade enfatizou que o enfrentamento ao crime organizado requer menos discursos e mais ações efetivas, como investimentos em capacitação profissional e inteligência estratégica. A nota da ADPF ressalta que declarações que desqualificam os policiais não contribuem para o fortalecimento do debate público sobre segurança.

Além disso, a associação alertou sobre a diminuição do número de ingressantes na carreira de delegado da Polícia Federal e a perda de talentos. Nos últimos três anos, 104 novos delegados ingressaram na instituição, enquanto 50 optaram por deixar a carreira para assumir outros cargos. O interesse pelos concursos públicos também apresentou uma queda significativa, com o número de inscritos passando de 321 mil em 2021 para 218 mil em 2025.

O combate ao crime organizado é visto como uma questão estratégica para o governo, especialmente em virtude do impacto que pode ter nas eleições de outubro. Pesquisas eleitorais indicam que a segurança pública deve ser uma das principais pautas do pleito.

Na quarta-feira, Lula assinou um decreto convocando mil novos agentes para reforçar o enfrentamento às organizações criminosas, afirmando que pela primeira vez todos os cargos da Polícia Federal serão ocupados por servidores.

“Eu mandei o ministro da Justiça fazer uma nota convidando todos os delegados da Polícia Federal que estão fora da Polícia Federal. Só vão ficar fora aqueles que forem secretários de Estado. Aqueles agentes ou delegados que estão aí, em outro lugar, fingindo que estão trabalhando e não estão trabalhando, todos vão ter que voltar, porque nós vamos derrotar o crime organizado”, declarou Lula.

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