Deputados solicitam cassação de Fabiana Bolsonaro por blackface na Alesp
Deputados de São Paulo pedem cassação de Fabiana Bolsonaro por racismo e transfobia.
Um grupo de deputados estaduais de São Paulo protocolou um pedido no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) visando a cassação da deputada Fabiana Bolsonaro (PL). A ação ocorre em resposta a acusações de que a deputada teria cometido atos de racismo, especificamente a prática de blackface, além de realizar um discurso considerado transfóbico.
Durante uma sessão no plenário, Fabiana fez críticas à eleição da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), a primeira mulher trans a presidir a Comissão da Mulher da Câmara dos Deputados. Essa manifestação gerou grande repercussão e descontentamento entre os colegas de bancada, levando à formalização da denúncia.
A deputada estadual Mônica Seixas e a vereadora Luana Alves, ambas do PSOL, não apenas acionaram o Conselho de Ética, mas também registraram um boletim de ocorrência na Delegacia de Repressão aos Crimes Raciais e Delitos de Intolerância. Elas exigem uma resposta imediata e responsabilização por parte das autoridades competentes.
“Racismo e transfobia são crimes! Já acionamos o Conselho de Ética e estamos na delegacia exigindo responsabilização imediata”, destacou Mônica em suas redes sociais.
Além das ações mencionadas, Fabiana Bolsonaro também enfrenta uma denúncia formal ao Ministério Público de São Paulo, apresentada pela deputada Ediane Maria (PSOL), que reforça as acusações de racismo contra ela.
Nas plataformas digitais, Fabiana argumentou que sua postura no plenário foi uma analogia e não uma ofensa. Ela afirmou que sua intenção era discutir a representação das mulheres e a legitimidade de quem pode falar sobre questões de gênero.
“A analogia foi clara, só não entendeu quem não quis! Assim como eu não me torno negra só porque pintei a pele, ninguém que não nasceu mulher pode representar com legitimidade as dores biológicas, psicológicas e históricas que só as mulheres biológicas conhecem”, declarou.
A deputada do PL também emitiu uma nota pública negando as acusações de ter realizado blackface durante sua fala. Em sua defesa, ela afirmou: “Como deputada, afirmo com total clareza e responsabilidade jurídica: durante minha presença no Plenário da Assembleia Paulista não fiz blackface. É uma mentira deliberada para tentar calar um debate legítimo”.
Blackface
Durante o discurso controverso, Fabiana pintou seu rosto e braços de marrom, o que gerou forte crítica e revolta. Ela justificou sua ação dizendo: “Estou pintada de negra por fora. Eu me reconheço como negra. Por que então eu não posso presidir a Comissão sobre racismo, antirracista? Por que não posso cuidar dessa pauta? Porque eu não sou negra?”