Diretor de tecnologia do Banco do Brasil afirma que IA sem contexto de negócio é despesa

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Executivos debatem a importância da inteligência artificial no setor bancário durante painel no IT Forum Praia do Forte.

A inteligência artificial (IA) deve ser vista como uma solução que resolve problemas de negócios, e não como um custo. Essa é a visão de Rodrigo Mulinari, diretor de tecnologia do Banco do Brasil, durante um painel sobre inovação no IT Forum Praia do Forte.

Mulinari destaca que a IA precisa gerar experiência, eficiência, novos negócios ou segurança. Se não se enquadrar em um desses resultados, torna-se uma despesa sem retorno.

Os executivos presentes no painel concordam que a adoção de IA nas grandes empresas transcende a área de tecnologia. Diego Puerta, presidente da Dell Technologies Brasil, enfatiza que a transformação com inteligência artificial envolve estratégia, cultura e negócios, apoiada pela tecnologia.

Do concorrente ao parceiro

Mulinari aponta uma mudança na perspectiva do setor bancário. Anteriormente, a preocupação era identificar concorrentes, mas agora a questão é: quem pode ser um potencial parceiro?

O Banco do Brasil, com mais de 200 anos de história e um conglomerado de 150 empresas, reconhece a necessidade de colaboração. Mulinari menciona que, com uma equipe de 125 mil funcionários e operações em diversos países, não é viável fazer tudo sozinho.

De acordo com uma pesquisa anual, os bancos devem investir R$ 50,4 bilhões em tecnologia no Brasil este ano, consolidando o setor financeiro como o maior investidor em tecnologia do país.

Mulinari descreve a evolução do modelo de inovação em quatro estágios, desde uma equipe fechada de P&D até a atual distribuição da inteligência em toda a rede. Ele ilustra essa transformação com o primeiro mobile banking do banco, desenvolvido em parceria com a Stefanini, que hoje é acessado por 30 milhões de pessoas diariamente.

Na Dell, o uso da IA deixou de ser opcional

Puerta relata que a transformação da Dell começou há dois anos e meio, quando Michael Dell alertou sobre a necessidade de agilidade para evitar que a empresa fosse superada por concorrentes. A Dell então decidiu liderar essa mudança, aproveitando as oportunidades que a IA oferece.

A empresa redesenhou sua abordagem em relação à IA, focando em áreas que a diferenciam. O acesso à tecnologia foi disponibilizado a todos os funcionários em uma plataforma interna, e seu uso tornou-se um requisito.

Puerta destaca que a mudança é inevitável na empresa, e aqueles que não se adaptarem à nova realidade tecnológica não farão parte do futuro da organização.

Da implementação à adoção massiva

Stefanini menciona que a empresa, com 35 mil colaboradores, tem trabalhado com IA há 14 anos. Com a chegada do ChatGPT, a dinâmica mudou, e 2023 foi tratado como um ano de experimentação, onde o uso da IA foi monitorado.

Ele distingue entre a implementação de IA e a adoção massiva, que é a utilização efetiva da tecnologia para gerar valor. Muitas empresas já obtêm benefícios individuais, mas ainda não capturam o retorno em nível institucional.

A arquitetura como diferencial

Stefanini argumenta que a vantagem competitiva agora reside na arquitetura operacional e tecnológica, e não apenas nas ferramentas de IA. Ele elogia o Banco do Brasil por sua arquitetura tecnológica, que proporciona flexibilidade em seus canais digitais.

Mulinari complementa essa visão ao mencionar a importância da governança. O banco capacitou mais de 60 mil funcionários no uso de IA e criou uma escola interna com apoio de parceiros. Ele ressalta a necessidade de alinhar a evolução da tecnologia com a capacidade das pessoas e a reestruturação das empresas.

O painel conclui que a inovação depende de um ecossistema colaborativo. Stefanini compartilha a experiência de assumir um contrato global que envolveu uma equipe diversificada, destacando os desafios e as recompensas dessa gestão multicultural.

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