Lula se torna defensor da transformação do Brasil em potência em inteligência artificial
Lula intensifica foco em inteligência artificial e soberania digital no Brasil.
Recentemente, a inteligência artificial começou a ganhar destaque na agenda do presidente Lula, que até então mostrava certo distanciamento em relação ao tema. A mudança de postura se intensificou após sua participação na Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial em Nova Délhi, onde fez declarações contundentes sobre a necessidade de controle nacional sobre algoritmos e infraestruturas digitais.
A crescente demanda dos Estados Unidos por minerais estratégicos brasileiros, como lítio e terras raras, também contribuiu para essa mudança. O Brasil possui cerca de 19% das reservas mundiais de terras raras, o que o torna um jogador importante na nova geopolítica dos recursos. Essa situação exige que o país defina estratégias claras para aproveitar suas riquezas.
No dia 11 de agosto, o Palácio do Planalto recebeu uma reunião de mais de duas horas com 12 ministros, especialistas em inteligência artificial e acadêmicos, com o objetivo de discutir a Estratégia de Soberania Digital. O encontro abordou toda a cadeia digital, desde recursos estratégicos até aplicações práticas, com apresentações focadas em diferentes aspectos da tecnologia.
Marco Cepik, professor de Relações Internacionais, destacou a transformação da tecnologia em instrumentos de poder e a necessidade do Brasil de desenvolver uma estratégia própria para não ficar refém das potências globais. Em seguida, Mat Velloso, ex-executivo de grandes empresas de tecnologia, enfatizou que o Brasil deve aproveitar sua energia limpa e mercado interno como diferenciais na corrida pela inteligência artificial.
Edson Borin, da Unicamp, falou sobre a importância de construir uma infraestrutura computacional nacional, argumentando que a capacidade se desenvolve de forma gradual e não pode ser adquirida pronta. Marilia Maciel, especialista em dados, apresentou formas de transformar os dados brasileiros em ativos valiosos, defendendo a governança soberana sobre esses recursos.
Anderson Rocha, da Unicamp, encerrou as apresentações abordando as áreas em que o Brasil pode se destacar no uso da inteligência artificial. O impacto da reunião foi evidente, com Lula afirmando que era “o começo definitivo” da entrada do Brasil na era da IA, e destacando a importância de não ser apenas um consumidor de tecnologia estrangeira.
Nos dias seguintes, o presidente anunciou um supercomputador voltado à IA e à soberania digital, sinalizando que as discussões do seminário estão se concretizando. Um dos primeiros projetos a surgir dessa nova abordagem é o Hospital Inteligente do SUS, que será instalado na Faculdade de Medicina da USP. Este hospital integrará tecnologias como inteligência artificial e telessaúde, prometendo melhorias significativas nos serviços de emergência.
Financiado por um empréstimo do Banco do Brics, o projeto representa a aplicação prática da visão de Lula sobre a inteligência artificial, com um contrato de R$ 1,9 bilhão para sua gestão. A descoberta recente de petróleo pela Petrobras na Foz do Amazonas também destaca a riqueza do Brasil, criando uma oportunidade de financiar avanços tecnológicos com recursos naturais.
Agora, a aprovação do marco dos minerais críticos pelo Congresso é crucial para estabelecer a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, já aprovada pela Câmara e aguardando votação no Senado. Por outro lado, o marco legal da Inteligência Artificial, que tramita na Câmara, ainda enfrenta desafios em pontos sensíveis, como direitos autorais e regulação de sistemas de alto risco.
