Dirigente palestino ignora israelense durante congresso da Fifa
Conflito entre federações de futebol reflete tensões políticas na região.
Um incidente significativo ocorreu durante um congresso da FIFA, onde o presidente da Federação Palestina de Futebol, Jibril Rajoub, se recusou a apertar a mão do vice-presidente da Federação de Israel, Basim Sheikh Suliman. O convite para o gesto de cordialidade partiu do presidente da FIFA, Gianni Infantino.
O encontro entre os dois dirigentes se deu em um contexto de conflito armado que se intensificou em outubro de 2023, apesar de um cessar-fogo estabelecido em 2025. A recusa de Rajoub em participar do aperto de mão foi um ato simbólico que expressou a profundidade das divisões entre as duas federações.
Infantino, ao chamar os dirigentes ao palco, enfatizou a importância da cooperação entre as partes. Ele destacou a necessidade de trabalhar em conjunto para trazer esperança às crianças afetadas pelo conflito, reconhecendo a complexidade da situação.
A recusa de Rajoub foi amplamente comentada nas redes sociais, com reações que destacaram a seriedade do contexto político. O ato foi interpretado como uma declaração de resistência e um reflexo da opressão enfrentada pelo povo palestino.
DISPUTA ENVOLVE CLUBES NA CISJORDÂNIA
O incidente ocorre em meio a uma disputa entre as federações sobre a participação de clubes israelenses em assentamentos na Cisjordânia, um território que os palestinos reivindicam para a formação de um futuro Estado. A federação palestina argumenta que as equipes localizadas nessas áreas não devem participar de competições organizadas por Israel.
Recentemente, a federação palestina recorreu à Corte Arbitral do Esporte, contestando a decisão da FIFA de não impor sanções à federação israelense ou a seus clubes. A FIFA, por sua vez, declarou que não tomará medidas contra a federação israelense, citando a indefinição jurídica do status da Cisjordânia no direito internacional.
DECLARAÇÕES E REPERCUSSÃO
Após o incidente, a vice-presidente da federação palestina, Susan Shalabi, afirmou que a recusa de Rajoub foi uma ação deliberada que refletiu o posicionamento político da entidade. Ela destacou que não é possível apertar a mão de alguém que representa uma ocupação e violação dos direitos humanos.
Shalabi também comentou que a tentativa de promover a cordialidade entre os dirigentes diminuiu a mensagem de respeito às regras internacionais que Rajoub havia transmitido anteriormente. Ela ressaltou a necessidade de um diálogo que leve em consideração as violações enfrentadas pelas associações nacionais na região.
