Dívida federal registra maior aumento anual desde 2015, aponta Tesouro
A Dívida Pública Federal registra aumento significativo e preocupa o Tesouro Nacional.
A Dívida Pública Federal (DPF) apresentou o maior crescimento anual desde 2025, com um aumento de R$ 1,3 trilhão, passando de R$ 7,32 trilhões para R$ 8,64 trilhões, o que representa uma alta de 18%.
O relatório do Plano Anual de Financiamento (PAF) indicou que as projeções para 2026 variam entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões. Isso significa que o Tesouro Nacional prevê um aumento mínimo de R$ 1,065 trilhão na dívida, podendo chegar a até R$ 1,665 trilhão.
O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, afirmou que o governo está atento às oscilações do estoque da dívida pública. Ele ressaltou que o aumento anual foi uma consequência da necessidade de financiamento do Estado, e não uma escolha deliberada na gestão da dívida.
Reserva de Liquidez
A reserva de liquidez da dívida pública é um montante em caixa que garante ao governo a capacidade de honrar suas obrigações financeiras. O Tesouro Nacional possui um colchão financeiro que permite cobrir meses de vencimentos.
Em 2024, a reserva de liquidez subiu de R$ 860,15 bilhões para R$ 1,19 trilhão em 2025. Essa estratégia visa enfrentar as incertezas globais e as instabilidades do período eleitoral.
Com o aumento das taxas de juros, o custo de financiamento para o governo se eleva. Ceron enfatizou que não é saudável ou sustentável utilizar a reserva de liquidez para reduzir a dívida pública.
O secretário destacou uma melhora consistente no déficit primário das contas públicas, com a divulgação dos dados de 2025 prevista para 29 de janeiro de 2026. O resultado primário é calculado levando em conta a diferença entre receitas e despesas, excluindo os juros da dívida.
Os altos juros foram apontados como responsáveis pelo crescimento do estoque da dívida, com Ceron mencionando fatores tanto nacionais quanto internacionais que justificam as taxas elevadas.
Ele observou que a taxa de juros nos Estados Unidos teve um aumento significativo, mantendo-se entre 5,25% a 5,50% ao ano de julho de 2023 até julho de 2024, e recuando para 3,50% a 3,75% ao ano em dezembro.
Ceron afirmou que, apesar do déficit, há uma melhora consistente, cada vez mais próxima do equilíbrio. Ele destacou que as condições de financiamento da dívida, e não o quadro primário, são o que realmente impulsiona a evolução da dívida.
Além disso, os juros mais altos nos EUA influenciam as taxas globais, tornando a política monetária mais contracionista em todo o mundo.
O secretário concluiu que, independentemente do tamanho do superávit primário, é improvável que a taxa de juros real no Brasil seja inferior à observada no mercado americano.
Alta de R$ 2,69 trilhões
Nos primeiros três meses do governo atual, a Dívida Pública Federal cresceu R$ 2,69 trilhões.
Ceron atribuiu parte dos juros elevados a fatores internos, como a presença de títulos isentos no mercado. O governo propôs a taxação de Letras de Crédito Imobiliárias (LCIs) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), mas a proposta não avançou no Congresso.
O ministro da Fazenda mencionou a necessidade de revisar a regulação dos títulos de renda fixa, uma vez que esses investimentos competem com a rolagem da dívida.
A proposta recebeu apoio da Anbima, que defendeu a taxação para evitar que os títulos isentos contaminem a curva de juros.
Selic a 15% ao ano
Cerca de 50% da dívida pública brasileira é corrigida pela taxa Selic, o que torna o nível dessa taxa crucial para o custo de financiamento do governo.
Ceron comentou que essa situação é uma característica estrutural do Brasil, relacionada aos fatores de poupança de longo prazo.
Ele acredita que o Banco Central está próximo de atingir os objetivos do ciclo de restrição monetária, o que pode proporcionar alívio na gestão da dívida, já que o
