Dólar registra alta impulsionado por aumento do petróleo e deterioração do cenário externo
Dólar se valoriza com alta do petróleo e cenário externo desfavorável
O dólar apresenta uma alta na manhã desta quarta-feira (7), após dois dias de queda. Esse movimento está relacionado ao avanço do petróleo e à deterioração do cenário externo. No mercado à vista, a moeda americana subiu 0,46%, alcançando R$ 4,9989, após ter atingido a máxima de R$ 5,0099, com um aumento total de 0,69%.
Esse movimento ocorre em paralelo ao aumento dos juros dos Treasuries e dos títulos europeus. O T-bond de 30 anos alcançou a sua maior taxa em 24 anos, marcando 5,725%, enquanto o título de 10 anos atingiu 5,346%. Esse cenário reflete uma reação do mercado a um ambiente de inflação persistente, uma atividade econômica resiliente nos Estados Unidos e incertezas fiscais e geopolíticas.
Os investidores também aguardam a divulgação da ata do Federal Reserve, que está prevista para as 15h. As expectativas indicam uma probabilidade de 78% de manutenção dos juros em outubro, mas o mercado ainda considera 67,5% de chance de alta em dezembro, conforme os dados do CME Group.
No Brasil, o cenário eleitoral continua a ser monitorado, o que pode limitar parte da alta do câmbio, especialmente após uma queda acumulada de 4,62% em dois pregões. Na véspera, o dólar foi cotado a R$ 4,9756, o menor nível desde 12 de maio.
Entre os indicadores domésticos, o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) subiu 1,50% em setembro, superando a alta de 0,06% em agosto. O resultado ficou ligeiramente abaixo da mediana de 1,53% das projeções. Este aumento foi impulsionado pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-DI), que acelerou para 1,95%, em comparação com 0,10% no mês anterior. No acumulado do ano, o IGP-DI registra um avanço de 3,72% e, em 12 meses, 3,80%.
No cenário internacional, as tensões no Oriente Médio também são uma preocupação crescente. As declarações de autoridades iranianas sobre o Estreito de Ormuz e novos ataques reivindicados pelos Houthis contra alvos na Arábia Saudita aumentaram a atenção sobre a navegação no Mar Vermelho e no Estreito de Bab el-Mandeb, uma rota que representa cerca de 12% do comércio global.
Diante desse conjunto de fatores, o mercado de câmbio opera sob a influência de juros elevados no exterior, alta do petróleo, inflação interna e tensões geopolíticas, após um recente recuo da moeda americana no mercado brasileiro.