Durigan sugere Lula 4 com foco na austeridade para tranquilizar o mercado

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Ministro da Fazenda busca tranquilizar mercado financeiro sobre futuro econômico sob Lula.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, esteve na Faria Lima, em São Paulo, na semana passada, com o objetivo de acalmar o mercado financeiro sobre as perspectivas de um futuro governo de Luiz Inácio Lula da Silva a partir de 2027. Durante sua visita, Durigan enfatizou a importância da questão fiscal e a compreensão do Planalto sobre a necessidade de um controle fiscal mais rigoroso.

O ministro sinalizou a intenção de discutir um arcabouço fiscal sustentável, enfatizando que foi autorizado por Lula a representar a equipe econômica e estabelecer diretrizes para a política econômica. Essa abordagem visa assegurar que o governo esteja ciente dos desafios fiscais e disposto a enfrentá-los.

Embora não tenha detalhado medidas específicas devido aos riscos associados aos gastos obrigatórios, a impressão deixada foi de que Durigan está tentando transmitir uma mensagem de que o governo reconhece os problemas existentes e está preparado para abordá-los de forma responsável.

Durigan também refutou a adoção de medidas de controle de capital, mas mencionou a necessidade de retomar discussões sobre o impacto das formas de investimento isentas de Imposto de Renda. Sua agenda incluiu reuniões com instituições financeiras como BTG, Itaú e XP, embora não tenha abordado questões relacionadas ao salário mínimo, deixando a impressão de que a mensagem era positiva, mas com incertezas sobre o espaço político para avançar.

Lula tem uma visão do Estado como um indutor de crescimento e, no primeiro semestre de 2026, apresentou um pacote de bondades que amplia a oferta de crédito. Apesar dessa perspectiva, o presidente manifestou a intenção de não desrespeitar o arcabouço fiscal vigente.

Recentemente, a percepção entre gestores de fundos, bancos e grandes empresas é de que a eleição presidencial caminha para um quarto mandato de Lula. A avaliação geral é de que, a menos que ocorra um evento político significativo, Flávio Bolsonaro terá dificuldades para reverter o cenário atual, apesar da diferença nas pesquisas não ser tão expressiva.

Atualmente, o clima entre os operadores do mercado é de expectativa até 2030 para que ocorram mudanças significativas no controle da economia.

PROGRAMA DE GOVERNO

A visita de Durigan à Faria Lima contrasta com a abordagem do coordenador do programa de campanha de Lula, Sergio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras. No PT, a construção do programa de governo gerou preocupações no mercado financeiro.

Em 17 de julho, Gabrielli se reuniu com representantes do Itaú, apresentando uma visão expansionista sobre diretrizes econômicas. Essa postura, somada à dificuldade do governo em promover cortes de gastos, gerou desconforto na Faria Lima. Gabrielli já havia manifestado a intenção de ampliar o financiamento do desenvolvimento por meio de bancos públicos e aumentar a carga fiscal sobre rendas, o que alarmou o mercado.

O presidente do PT, Edinho Silva, desautorizou as declarações de Gabrielli, afirmando que suas opiniões são pessoais e que as propostas ainda estão em fase de construção e serão validadas pelo partido e por Lula.

Por outro lado, membros do PT afirmam que Durigan é o principal responsável pela elaboração das propostas econômicas, trabalhando em conjunto com os ministros do Planejamento e da Gestão e Inovação. Essa estratégia visa tranquilizar o mercado.

A apresentação do plano de governo, que estava prevista para ser concluída até 15 de julho, sofreu atrasos e agora pode ser finalizada após a convenção nacional do PT, marcada para 2 de agosto.

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