Empresários Beto Louco e Primo enfrentam acusações de lavagem de dinheiro em usinas de açúcar
MP-SP denuncia empresários por organização criminosa e lavagem de dinheiro em Catanduva.
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) apresentou uma denúncia contra os empresários Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, apelidado de Primo. Eles são acusados de organização criminosa, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica, em um esquema que envolve a formação do Grupo Itajobi em Catanduva, SP, e a aquisição de usinas sucroalcooleiras.
Esta é a segunda denúncia feita pelos promotores do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) no contexto da Operação Carbono Oculto. A primeira denúncia já havia sido direcionada a Beto Louco, e agora Primo também é alvo das investigações relacionadas a fraudes tributárias e lavagem de dinheiro, supostamente ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Além dos dois empresários, outros sete indivíduos foram denunciados. A defesa de Mohamad Hussein alegou que a denúncia se baseia em especulações e não apresenta provas concretas, enquanto a defesa de Beto Louco afirmou que demonstrará a improcedência das acusações e a nulidade do processo.
Ambos os empresários tentaram negociar uma delação premiada, mas a proposta foi rejeitada pelos promotores. Atualmente, eles estão foragidos e negam qualquer envolvimento com o PCC.
As investigações do Gaeco, que ocorrem em São José do Rio Preto, revelaram a atuação de uma organização criminosa ao longo da cadeia produtiva do setor de combustíveis. Essa reestruturação se deu após a Operação Cassiopeia, que resultou no fechamento do grupo Copape-Aster em 2023, e envolveu a criação do Grupo Itajobi e do Grupo GGXGlobal.
Os promotores afirmam que as infrações penais cometidas pela organização resultaram em prejuízos bilionários, obtidos por meio de ocultação e fraudes. Eles acreditam que os líderes da organização tiveram conhecimento da deflagração da Operação Carbono Oculto e fugiram do país, além de tentarem destruir provas e obstruir a investigação.
Exemplos de tentativas de ocultação de provas incluem a retirada de equipamentos de informática de empresas ligadas aos acusados. Os promotores solicitaram à Justiça a manutenção da indisponibilidade de bens apreendidos durante a operação, incluindo imóveis e recursos financeiros relacionados a fundos de investimento.
Os acusados teriam ainda utilizado a RGP Property Ltda para ocultar patrimônio, adquirindo imóveis em Catanduva. O Fundo Pompeia também foi mencionado como uma camada adicional de dissimulação de ativos, assim como a empresa Scotia Holdings e Participações Ltda, que administrava o Fundo Pompeia, tudo para encobrir a origem ilícita dos recursos.
A movimentação financeira era realizada por meio de contas geridas pela fintech BK Bank. Os promotores destacaram o histórico criminal dos líderes da organização e a multiplicação das fraudes que ocorreram após a formação do grupo criminoso, afetando consumidores, o meio ambiente e o fisco.
Por fim, os promotores ressaltaram a aquisição de imóveis em Catanduva, que teriam a função simbólica de sediar o Grupo Itajobi, evidenciando a intenção expansionista da organização criminosa, financiada com dinheiro ilícito.
Posição da defesa de Roberto Lemos, o Beto Louco:
A defesa afirmou que irá provar a improcedência da denúncia e a nulidade do processo em andamento, alegando que os termos legais foram desrespeitados.
Posição da defesa de Mohamad Hussein, o Primo:
A defesa criticou a denúncia por se basear em uma narrativa desconexa e especulativa, sem apresentar evidências claras sobre os crimes supostamente cometidos. Eles argumentaram que a denúncia de 300 páginas não especifica o crime antecedente relacionado à lavagem de dinheiro, dificultando a compreensão das acusações.
