Enchentes no Nepal: Desafio Decisivo para o Governo da Geração Z
Família escapa de avalanche no Nepal antes de casa ser levada por enxurrada.
O Nepal enfrenta uma grave crise humanitária após enchentes devastadoras que deixaram mais de 900 mortos e quase 4,8 mil desaparecidos. O primeiro-ministro Balendra Shah, popularmente conhecido como “Balen”, luta para reconstruir comunidades e infraestrutura após a catástrofe.
As inundações, que trouxeram rochas, gelo e lama, afetaram especialmente as áreas próximas à fronteira com a China, causando destruição em cidades e danos a usinas hidrelétricas. Os esforços de resgate estão em andamento, mas a situação é crítica e a resposta do governo tem sido questionada.
As enchentes ocorreram pouco antes do aniversário de protestos anticorrupção que levaram Shah ao poder, o que coloca ainda mais pressão sobre sua administração, que enfrenta sua primeira grande crise. O governo, predominantemente inexperiente, se vê diante do que pode ser o pior desastre no país em uma década.
Ansiedade entre parentes de vítimas
Equipes de resgate, incluindo especialistas de países vizinhos, acreditam que muitos trabalhadores estejam presos em túneis de usinas hidrelétricas soterradas. Famílias, como a de Sushila Giri, aguardam ansiosamente por notícias de seus entes queridos desaparecidos.
“Fiquei sabendo que meu filho estava no alojamento do projeto hidrelétrico quando ocorreu o desastre”, disse Sushila.
Ativistas, como Raksha Bam, expressam preocupação com a lentidão nos esforços de resgate e pedem apoio internacional. Em hospitais e centros temporários, familiares reúnem-se na esperança de encontrar notícias de seus desaparecidos.
Indra Adhikari, que perdeu sua casa e arrozais, critica a concentração dos esforços de resgate em áreas acessíveis, afirmando que as comunidades remotas estão sendo negligenciadas.
“Os povoados remotos continuam de difícil acesso”, lamentou Indra.
Crise pega nova liderança do país de surpresa
O governo reconheceu sua falta de preparação para uma emergência dessa magnitude, a mais mortal desde o terremoto de 2015. O ministro da Informação e Comunicação, Bikram Timilsina, admitiu confusão inicial na resposta à crise.
“No primeiro dia, ficamos um pouco confusos sobre como lidar com a crise”, afirmou Timilsina.
Embora as agências de segurança tenham sido elogiadas por sua resposta, a gestão da crise levantou questões sobre a capacidade do governo de coordenar esforços com autoridades locais. A falta de envolvimento dos governos locais é uma preocupação, especialmente considerando que o partido de Shah não possui representação nas administrações regionais.
Enquanto alguns especialistas elogiam a rapidez em mobilizar recursos, outros criticam a centralização das operações de assistência, que limitaram a eficácia das respostas locais.
Será que Balen cumprirá o que prometeu?
O governo inicialmente confiou em suas próprias equipes de resgate, mas logo reconheceu a necessidade de assistência internacional. A decisão de buscar ajuda externa foi vista como um teste à capacidade de resposta da nova administração.
Apesar das críticas, o governo conseguiu arrecadar mais de 5 bilhões de rúpias nepalesas para ajudar as vítimas, demonstrando um certo nível de confiança da população na gestão de Balen.
“Isso demonstra a confiança da população no governo”, comentou um especialista sobre a arrecadação.
As autoridades locais, no entanto, sentem que sua capacidade de ação foi limitada pela abordagem centralizada do governo, que não permitiu que comunidades e voluntários se mobilizassem como em crises anteriores.
O porta-voz do governo defendeu a resposta, afirmando que todos os recursos disponíveis estão sendo utilizados para operações de resgate e assistência, com prioridade na salvação de vidas. A situação continua a evoluir, enquanto o Nepal enfrenta um dos maiores desafios de sua história recente.
