Escolha de André do Prado para o Senado por Jair e Eduardo Bolsonaro provoca críticas e divide bolsonaristas
Divisão interna no bolsonarismo após escolha de pré-candidato ao Senado por São Paulo.
A recente decisão de Eduardo Bolsonaro e Jair Bolsonaro de lançar André do Prado como pré-candidato ao Senado por São Paulo gerou polêmica e divisões dentro do bolsonarismo. A escolha foi criticada por parte da militância, que vê Prado como um nome não ideológico e próximo a figuras do Centrão.
André do Prado foi indicado para a segunda vaga ao Senado na chapa de Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo. A confirmação da indicação foi feita em uma coletiva de imprensa e posteriormente nas redes sociais por Eduardo, que também anunciou sua candidatura como primeiro suplente, apesar de residir atualmente nos Estados Unidos.
A escolha de Prado teve o apoio de alguns parlamentares, como Gil Diniz e Mário Frias, que também estavam cotados para a vaga. No entanto, a reação de parte da militância foi negativa, expressando decepção e descontentamento. Análises qualitativas indicaram uma insatisfação crescente com a direção que a escolha tomou.
O apoio de Eduardo a André do Prado foi interpretado por muitos como um sinal de alinhamento com a velha política, especialmente porque Prado é associado ao Centrão. A presença de Eduardo como suplente intensificou esse desconforto, levando a críticas de figuras influentes dentro do movimento bolsonarista.
Rodrigo Constantino, influenciador e crítico da estratégia, expressou sua indignação nas redes sociais, questionando a escolha e acusando o grupo de se afastar dos princípios conservadores. Outros, como Fábio Wajngarten, também criticaram a decisão, sugerindo que Eduardo deveria ter escolhido um candidato mais alinhado aos ideais do grupo.
Ricardo Salles, deputado federal, também se manifestou contra a escolha, chamando-a de “vergonhosa” e ressaltando a ligação de Prado com o PT, o que contraria a narrativa defendida pelo bolsonarismo. Salles enfatizou a necessidade de manter a ideologia e se distanciar do Centrão.
Em uma tentativa de justificar a decisão, Eduardo Bolsonaro concedeu uma entrevista onde destacou a boa relação de André com prefeitos do estado, argumentando que isso poderia beneficiar a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Ele também afirmou que Salles não seria candidato para não prejudicar outro pré-candidato ao Senado.
Durante a entrevista, Eduardo enfrentou questionamentos sobre a escolha de Prado, sendo desafiado a explicar a falta de representatividade do candidato. Mello Araújo, mencionado como uma alternativa, expressou sua honra por ser considerado, mas deixou claro que o tempo dirá se a escolha foi acertada.
Os bolsonaristas lembraram da escolha pragmática de apoiar Ricardo Nunes para a Prefeitura de São Paulo como um exemplo de sucesso, argumentando que o tempo pode validar a decisão atual. No entanto, a divisão interna e as críticas refletem um momento de incerteza e tensão dentro do movimento.
