Especialista aponta que falta de prioridade impede avanço do seguro rural no Brasil
Seguro rural no Brasil enfrenta desafios para se consolidar no agronegócio.
O seguro rural no Brasil ainda está aquém do potencial do agronegócio, conforme discutido em um recente videocast. O coordenador do Observatório de Crédito e Seguro Rural ressaltou que, mesmo após mais de 20 anos de operações, a cobertura do seguro permanece baixa e não se firmou como uma ferramenta fundamental de gestão de risco.
Apenas cerca de 3% a 4% da área agrícola brasileira está segurada. Essa porcentagem é considerada insuficiente, tendo em vista a vasta extensão territorial do país e a relevância econômica que a agricultura desempenha. O especialista enfatizou que, embora o crédito rural seja atualmente a principal política agrícola, o seguro rural ainda é uma ferramenta em desenvolvimento.
Nos últimos anos, houve um aumento no alcance do seguro rural, mas este retorno foi temporário. A percepção é de que o Brasil não assimilou plenamente a importância do seguro, mesmo diante do crescimento de eventos climáticos extremos que impactam a produção agrícola.
A evolução do seguro rural está fortemente ligada às decisões de políticas públicas. Para que haja progresso, é necessário que o governo demonstre compromisso com a implementação de uma política que priorize essa área. A falta de previsibilidade orçamentária e a instabilidade na execução dos recursos têm sido obstáculos significativos para o avanço do modelo no Brasil.
Além disso, sem um sistema de seguros, os custos para o governo tendem a ser superiores, uma vez que recursos são frequentemente gastos em renegociações de dívidas em vez de serem direcionados para seguros que poderiam ser eficazes na mitigação de riscos.
O seguro rural desempenha um papel crucial como mitigador de riscos em períodos de quebra de safra. As indenizações pagas nos últimos anos ajudaram a reduzir a necessidade de renegociações de dívidas pelos agricultores, somando mais de R$ 30 bilhões em pagamentos. O objetivo não é eliminar as perdas, mas garantir que os produtores possam continuar suas atividades mesmo em tempos difíceis.
Comparando com outros países, o especialista observou que o seguro rural tem um papel central nas políticas agrícolas em nações mais desenvolvidas, onde a previsibilidade de recursos e a participação do Estado são mais consistentes. O Brasil, por sua vez, ainda investe predominantemente em financiamentos em vez de seguros.
Para avançar, é vital integrar o crédito ao seguro e criar incentivos que estimulem a contratação do seguro rural. Com o aumento da frequência de problemas climáticos, é sugerido que o financiamento seja acompanhado de seguros, preferencialmente com incentivos para os agricultores.
Outra proposta é estabelecer mecanismos que forneçam estabilidade ao sistema em períodos de perdas severas, o que poderia atrair mais seguradoras e aumentar a oferta de seguros disponíveis. Sem mudanças estruturais, o Brasil tende a permanecer no ciclo atual de renegociação de dívidas sem a incorporação de seguros eficazes.
