Israel libera ativista Thiago Ávila após pressão do Brasil

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Ativistas da flotilha Global Sumud serão libertados por Israel após detenção.

Israel anunciou a libertação de Thiago Ávila, ativista brasileiro da flotilha Global Sumud, e de Saif Abu Keshek, hispano-palestino, que estavam detidos enquanto tentavam levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza.

A organização Adalah, que representa os dois ativistas, informou que a agência de segurança interna de Israel, Shabak, confirmou a liberação, que ocorrerá ainda neste sábado. Ambos serão entregues às autoridades de imigração israelenses antes de serem deportados.

Apesar da decisão de libertação, Thiago Ávila permanecerá sob custódia até que o processo de deportação seja finalizado. Diplomatas brasileiros já foram notificados sobre a situação. O procedimento de deportação pode levar alguns dias, mas não há expectativa de que Ávila retorne à prisão.

A flotilha Global Sumud, que partiu de países como Espanha, França e Itália, tinha como objetivo entregar ajuda humanitária a Gaza e chamar a atenção para as severas restrições que o território palestino enfrenta em relação à entrada de suprimentos.

Os ativistas foram detidos na semana passada após a interceptação de suas embarcações em águas internacionais, nas proximidades da Grécia. Enquanto os demais participantes foram liberados na Grécia, Ávila e Abu Keshek foram levados a Israel para interrogatório.

A flotilha é parte de um movimento internacional que busca denunciar a crise humanitária em Gaza, que enfrenta um bloqueio severo desde 2007, controlado por Israel, limitando o acesso a alimentos, medicamentos e outros itens essenciais.

De acordo com a Adalah, os ativistas foram mantidos em condições de “isolamento total” e enfrentaram tratamento punitivo, mesmo sendo uma missão civil. Eles foram submetidos a celas com iluminação intensa e mantidos com os olhos vendados durante transferências, incluindo para exames médicos.

Ambos os ativistas iniciaram uma greve de fome, com Abu Keshek intensificando a ação ao se recusar a beber água. As autoridades israelenses negam as alegações de maus-tratos.

A libertação de Ávila e Abu Keshek foi antecipada após um tribunal israelense decidir manter os ativistas presos até domingo para mais interrogatórios. Durante a audiência, os ativistas chegaram algemados.

A detenção de Thiago Ávila gerou reações do governo brasileiro, com o presidente Lula chamando a ação de “injustificável” e exigindo a libertação imediata do brasileiro, destacando que a prisão de cidadãos em águas internacionais é uma violação do direito internacional.

Brasil e Espanha emitiram uma nota conjunta condenando a captura de seus cidadãos, considerando a ação israelense “flagrantemente ilegal” e exigindo o retorno imediato dos ativistas, com garantias de segurança e acesso consular.

O governo espanhol também qualificou a detenção como “ilegal” e “inaceitável”, afirmando que Israel não apresentou evidências de qualquer ligação dos ativistas com o Hamas.

O Ministério das Relações Exteriores de Israel alega que integrantes da flotilha possuem vínculos com a Conferência Popular para os Palestinos no Exterior, uma entidade sancionada pelos Estados Unidos por supostamente apoiar o Hamas. Os ativistas, no entanto, negam qualquer relação com o grupo.

Thiago Ávila já havia sido detido em Israel no ano passado, quando se recusou a assinar documentos de deportação, durante uma viagem no barco Madleen com outros ativistas de diferentes países europeus.

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