Estratégia de vacinação contra dengue com imunizante do Butantan é suspensa temporariamente no Rio Grande do Sul
Suspensão da vacinação contra dengue em todo o Brasil
A Secretaria da Saúde (SES) do Brasil confirmou a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com a vacina do Instituto Butantan. A decisão foi tomada após a identificação de eventos adversos raros relacionados à vacinação.
O Ministério da Saúde anunciou a medida, que é preventiva, no início da semana. As investigações sobre a relação dos eventos adversos com o imunizante ainda estão em andamento. Até o momento, o Rio Grande do Sul recebeu 45.220 doses da vacina, das quais aproximadamente 15 mil foram aplicadas em profissionais da saúde.
Os vacinados devem ficar atentos ao seu estado de saúde nos 21 dias seguintes à aplicação da vacina. Sintomas como febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sinais de desidratação exigem atenção médica imediata. Após esse período, não há mais presença do componente ativo da vacina no organismo.
A SES também destaca que a vacinação contra a dengue continua através da vacina Qdenga, que ainda está disponível para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos em todo o país. É fundamental que os responsáveis busquem as unidades de saúde para garantir a atualização da vacinação.
A vacina do Butantan, que usa vírus vivo atenuado, foi incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) no início de 2026, visando reduzir hospitalizações e casos graves de dengue. Segundo informações disponíveis, a vacina demonstrou eficácia de 79,6% em prevenir a doença e 89% contra casos graves.
A suspensão atual não questiona a eficácia do imunizante, e aqueles que já receberam a vacina ainda estão protegidos contra os quatro sorotipos do vírus da dengue. Os eventos adversos relatados até agora têm sido leves ou moderados, com grande parte se resolvendo em poucos dias.
Relatos indicam 42 casos de reações adversas em todo o Brasil, incluindo três considerados graves, com dois óbitos, ambos registrados em São Paulo. Desde o início da campanha, mais de 501 mil doses foram administradas no país.
O Ministério da Saúde continua a investigar a possível relação entre a vacina e os casos de eventos adversos. A suspensão é uma precaução, e a relação entre os óbitos e a vacina ainda não foi confirmada. Colaborações com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária estão em curso, e novas orientações poderão ser emitidas conforme os resultados das investigações.
Medidas e orientações para os vacinados
Com a suspensão, a vacinação com a vacina do Butantan está interrompida em todo o país. As doses atualmente armazenadas devem ser mantidas sob refrigeração e não descartadas. Um monitoramento rigoroso será realizado com aqueles que foram vacinados nos últimos 21 dias.
Indivíduos que receberam a vacina devem observar sinais semelhantes aos da dengue, como febre, dor de cabeça, dores no corpo e manchas na pele. Sinais de alerta, como dor abdominal intensa e sangramentos, exigem atendimento médico imediato.
Importância da prevenção
Além da vacinação, a prevenção da dengue continua sendo crucial. O combate ao mosquito Aedes aegypti deve ser intensificado, com ações para eliminar focos de água parada e manter ambientes limpos.
Contexto da dengue no Rio Grande do Sul
Neste ano, o Rio Grande do Sul registrou 2.038 casos de dengue, com três óbitos. Este número representa uma queda significativa em comparação ao mesmo período do ano anterior, quando quase 50 mil casos e 47 mortes foram confirmados. Em 2025, o estado teve 52,7 mil casos e 53 óbitos relacionados à doença.
