Estudo revela razões para pássaros voarem em formação em V
Cientistas revelam como aves economizam energia ao voar em formação de V.
Cientistas da Universidade Brown, nos Estados Unidos, realizaram um estudo inovador sobre como aves que voam em formação de V conseguem economizar energia durante seus deslocamentos. A pesquisa destacou que o benefício aerodinâmico é resultado das menores movimentações das asas da ave que segue a líder da formação.
O foco da investigação foi a interação entre duas aves, utilizando o íbis-eremita-do-norte como referência. O modelo desenvolvido pelos pesquisadores demonstrou que a ave posicionada atrás e levemente ao lado do líder pode reduzir em cerca de 11% a potência mecânica necessária para se manter no ar.
Os pesquisadores, Olivia Pomerenk e Kenny Breuer, se dedicaram a explicar em detalhes um fenômeno que já era observado entre espécies como gansos e íbis. A combinação de conhecimentos em aerodinâmica e dinâmica de voo permitiu esclarecer como o movimento de uma ave influencia a outra durante o voo.
O efeito invisível das asas no voo coletivo
A formação em V proporciona vantagens significativas devido aos movimentos de ar gerados pelas asas das aves. Durante o voo, as pontas das asas criam pequenos redemoinhos, conhecidos como vórtices, que alteram a distribuição do ar ao redor do animal.
Os pesquisadores indicaram que a área de movimento ascendente do ar, formada por esses fluxos, oferece condições mais favoráveis para a ave que vem atrás. O desafio da pesquisa foi entender se esse benefício impacta mais na sustentação do corpo no ar ou na produção do impulso necessário para avançar.
Olivia Pomerenk, pesquisadora de pós-doutorado, destacou que a principal mudança observada está na amplitude das batidas das asas. “A grande mudança que vemos nessa posição está na amplitude do bater das asas. Para essa espécie específica, observamos uma amplitude de cerca de 70% daquela usada quando a ave voa sozinha”, explicou.
A redução do movimento das asas ocorre porque a ave que acompanha outra se beneficia do rastro aerodinâmico criado pela líder da formação. Com menor necessidade de gerar impulso, o animal consegue diminuir o esforço físico empregado durante o voo.
Modelo recriou o voo em etapas
Para alcançar os resultados, os pesquisadores desenvolveram uma representação matemática que se baseou em estudos anteriores sobre o íbis-eremita-do-norte. O modelo inicialmente simulou o rastro de ar produzido por uma única ave e, em seguida, acrescentou uma segunda ave voando dentro dessa região.
O método considerou que o rastro deixado pela primeira ave não é estático. Como as asas batem continuamente, a corrente de ar gerada apresenta variações ao longo do tempo. Os cientistas dividiram o movimento em diferentes momentos, analisando as forças envolvidas em cada etapa.
Pomerenk ressaltou que essa abordagem permitiu observar a interação entre as asas da ave seguinte e a turbulência criada pela primeira. O modelo funciona como uma sequência de imagens congeladas do voo, possibilitando calcular as forças que atuam sobre o animal em cada instante.
Os resultados mostraram que a presença da ave líder diminui a necessidade de produção de impulso pela ave que vem atrás, permitindo que esta faça batidas de asas menos intensas, o que explica a economia de energia observada nas formações coletivas.
Pesquisa amplia compreensão sobre bandos e tecnologia
A descoberta também reforça resultados obtidos em experimentos anteriores com estorninhos, que indicaram que a formação em V poderia reduzir em 25% o custo energético do voo de aves em ambientes controlados.
Kenny Breuer, professor de engenharia e ecologia, evolução e biologia de organismos, afirmou que o conhecimento adquirido pode ser aplicado além do estudo de animais. “Tudo isso também pode ser utilizado para entender melhor como operar enxames de drones usados na agricultura ou no combate a incêndios”, declarou.
A expectativa dos autores é que o modelo de interação entre duas aves seja incorporado a representações mais amplas do comportamento dos bandos. A intenção é avançar na compreensão de formações coletivas e movimentos sincronizados, que continuam a
