Evangélica de 16 anos denuncia influencer por usar IA para sexualizar sua imagem em igreja sem autorização
Influenciador é investigado por manipulação de imagens de jovens evangélicas usando IA.
Um influenciador digital está sendo investigado por usar inteligência artificial para manipular imagens de jovens evangélicas, sexualizando-as em vídeos. O caso gerou grande repercussão nas redes sociais e levantou questões sobre privacidade e consentimento.
Uma jovem de 16 anos, cuja imagem foi alterada sem autorização, relatou que o influenciador pegou sua foto e a montou em um vídeo, onde ela aparece ao lado de outras mulheres em poses sensuais. A Polícia Civil de São Paulo está apurando o caso, que envolve a simulação de cenas de sexo com menores, o que é considerado crime sob o Estatuto da Criança e do Adolescente.
O influenciador, que possui quase 50 mil seguidores, critica frequentemente as roupas usadas pelas fiéis em suas postagens, utilizando hinos religiosos como trilha sonora. Essa abordagem tem gerado controvérsia e preocupações sobre o impacto de suas ações nas vítimas.
A técnica conhecida como deepfake, que utiliza IA para criar ou alterar conteúdos de forma realista, tem sido utilizada para manipular as imagens das jovens, levando a um aumento das preocupações sobre a segurança e a privacidade online.
O influenciador, Jefferson, de 37 anos, foi indiciado por simular pornografia envolvendo menores. Ele negou as acusações em depoimento, mas posteriormente gravou um vídeo pedindo desculpas, sem abordar diretamente as manipulações feitas com as imagens das adolescentes.
‘Não queria ter sido exposta’
A jovem afetada relatou que a foto utilizada na montagem foi tirada em um momento de fé em sua igreja e que nunca deu permissão para o uso de sua imagem. Ela expressou sua vergonha e preocupação com as possíveis repercussões sociais que a situação poderia trazer.
Os pais da adolescente também se manifestaram, ressaltando o impacto emocional que a exposição teve sobre a filha e outras jovens. Eles entraram com uma ação judicial por danos morais, buscando responsabilizar o influenciador e chamar a atenção para a gravidade do caso.
”Tira o sono’, diz mãe
A mãe da jovem destacou a dor e a preocupação que a situação trouxe à família. Ela afirmou que o alcance do caso foi além do que eles podiam controlar e que muitas outras jovens também poderiam ser vítimas.
O pai da adolescente enfatizou que a manipulação de imagens de menores é um crime sério e que a justiça deve ser feita para proteger as vítimas e prevenir futuros abusos.
‘Internet não é terra sem lei’, diz delegada
A delegada responsável pelo caso, Juliana Raite Menezes, afirmou que a investigação está em andamento e que é fundamental que outras vítimas se apresentem para que possam ser identificadas e protegidas. Ela ressaltou que as leis que protegem as pessoas no mundo real também se aplicam no ambiente virtual.
O inquérito foi encaminhado para a vara responsável por crimes contra crianças e adolescentes, e o Ministério Público está envolvido na investigação.
O que dizem especialistas
Especialistas em tecnologia e direitos digitais alertam que o uso de IA para manipulação de imagens não isenta os criadores de responsabilidade. A pesquisadora Laura Hauser destacou que o foco deve estar na responsabilização dos predadores, e não nas vítimas.
Juliana Cunha, diretora da SaferNet, alertou que casos como esse tendem a aumentar com o avanço da tecnologia e que é crucial que as vítimas não se sintam culpadas, pois é a cultura de exploração que precisa ser combatida.
O que diz o influencer
Jefferson se defendeu, afirmando que sua intenção era fazer críticas humorísticas à forma como algumas jovens se vestem nas igrejas. Ele admitiu usar imagens de jovens evangélicas, mas negou qualquer intenção de ofender ou sexualizar as vítimas.
Em vídeos, ele se apresenta como membro da Congregação Cristã do Brasil e critica o comportamento de algumas fiéis, alegando que suas ações são uma forma de chamar atenção para questões que considera relevantes.
O caso levanta questões importantes sobre a ética no uso de tecnologia, privacidade e a proteção de menores na era digital, destacando a necessidade de um debate mais amplo sobre a segurança online.
