Ex-ministro é mencionado em acordos milionários no INSS por alvos da PF

Compartilhe essa Informação

Empresários investigados revelam vínculos com ex-ministro em esquema de fraudes no INSS.

Os empresários Anderson Cordeiro de Vasconcelos e Igor Dias Delecrode, envolvidos em investigações da Polícia Federal por fraudes no INSS, foram filmados discutindo como estabeleceram contatos com o ex-ministro da Previdência, José Carlos Oliveira, para firmar contratos com a instituição.

As gravações, obtidas de câmeras de segurança na residência de Cordeiro, datam de 22 de maio de 2025, aproximadamente um mês após a Operação Sem Desconto, que apurou desvios de R$ 6,2 bilhões em aposentadorias. O conteúdo das gravações revela a estratégia dos empresários, que fazem parte de um grupo conhecido como “golden boys”.

Durante o vídeo, Delecrode menciona que Wilson Roberto Gomes, pai de um dos integrantes do grupo, foi o responsável por facilitar o contato com Oliveira. Ele reproduz uma frase atribuída a Wilson, que teria afirmado: “Eu que consegui o negócio para vocês, eu que sentei lá com o Oliveira, eu que disse que podia acreditar em vocês”.

Anderson complementa relatando que Wilson pediu a Oliveira que tratasse seu filho como se fosse ele próprio, indicando a relação de confiança estabelecida entre eles. Além disso, Anderson afirma que não tinha conhecimento de certas transações, mencionando um “helicóptero para o ‘big boss’”, sem especificar a quem se referia.

O GRUPO GOLDEN BOYS

Os empresários são parte de um grupo denominado “golden boys”, caracterizado por sua juventude e por terem liderado formalmente quatro associações suspeitas, que geraram receitas superiores a R$ 700 milhões. As associações incluem o Amar Brasil Clube de Benefícios, Master Prev, Aasap e Andapp.

Durante a gestão de Oliveira no INSS, a Amar Brasil obteve seu primeiro acordo de cooperação técnica com o órgão, assinado por um diretor que também é investigado. Essa entidade sozinha arrecadou R$ 324 milhões entre 2021 e 2025, enquanto outros acordos firmados posteriormente geraram R$ 376 milhões em descontos nas aposentadorias.

Investigações apontaram transferências financeiras significativas entre membros do grupo e o ex-ministro, incluindo um pagamento de R$ 8.000 a Oliveira e R$ 12.500 a um alfaiate que realizava transações com o grupo. Os acordos de cooperação técnica permitiram que as associações descontassem mensalidades diretamente das aposentadorias dos beneficiários.

Embora não tenham sido presos, os integrantes do grupo foram obrigados a usar tornozeleiras eletrônicas. O ex-ministro Oliveira também estava sob a mesma medida, mas teve a tornozeleira removida recentemente, após ser indiciado por recebimento de propina de outra entidade relacionada ao esquema. O inquérito continua em fase final.

REPOSIÇÃO DAS DEFESAS

As defesas dos empresários não se manifestaram sobre as gravações. Os advogados que representam Anderson, Igor e Felipe afirmaram desconhecer a autenticidade dos vídeos, alegando que, se existirem, foram obtidos de maneira ilícita.

O advogado de Wilson Roberto Gomes negou qualquer vínculo de seu cliente com as associações investigadas. Já a defesa de José Carlos Oliveira refutou as alegações, afirmando que nunca teve relações com os empresários e que não tinha controle sobre os acordos de cooperação técnica firmados.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *