Extrema-direita utiliza censura às artes como estratégia de controle social
A crescente perseguição às artes e à liberdade de expressão no Brasil contemporâneo.
O Brasil tem vivenciado um aumento significativo na perseguição às manifestações artísticas desde 2017, quando a exposição Queermuseu, realizada no centro cultural do Santander em Porto Alegre, gerou uma onda de críticas nas redes sociais. A mostra foi encerrada rapidamente após alegações de que suas obras feriam os “bons costumes”.
Mais recentemente, a exposição Funk: Um Grito de Ousadia e Liberdade, no Museu da Língua Portuguesa em São Paulo, foi abruptamente encerrada em maio deste ano, meses antes do previsto, sob acusações de apologia ao crime. Esse evento reflete uma tendência preocupante no cenário cultural brasileiro.
Outro episódio marcante foi o cancelamento da 11ª edição da Festa Literomusical (FLIM) em São José dos Campos, que ocorreu no ano passado. A prefeitura decidiu vetar a participação da jornalista Milly Lacombe, que havia feito críticas públicas ao conceito de família tradicional, evidenciando a censura a vozes divergentes.
No campo musical, o cantor Johnny Hooker enfrentou o cancelamento de shows em Niterói e Boa Vista devido a um vídeo antigo em que comentava a peça O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu, que apresenta uma interpretação de Jesus Cristo como uma mulher transexual. Esse tipo de reação demonstra a fragilidade da liberdade artística no país.
Esses incidentes estão interligados por um projeto sistemático de captura e controle cultural promovido por grupos de extrema-direita. Historicamente, a cultura tem desempenhado um papel fundamental na promoção de valores e ideias que desafiam normas estabelecidas.
A principal questão é que essas ações atacam diretamente a liberdade de expressão. O que esses grupos defendem é a imposição de uma “unicultura”, que silencia obras que abordam igualdade de gênero, liberdade sexual e tolerância social e religiosa.
A estratégia mais evidente dessa ofensiva é a tentativa de desmantelar instituições culturais, sejam públicas ou privadas, que promovem a diversidade. A extrema-direita busca eliminar a multiplicidade de vozes, favorecendo uma conformidade absoluta com seu ideário por meio de controle direto.
O objetivo subjacente é suprimir tanto os direitos individuais quanto os coletivos, centralizando o poder e exercendo controle social através da cultura. Essa é a verdadeira política cultural da extrema-direita, que deve ser constantemente denunciada e esclarecida.