Fábrica de calçados é inaugurada dentro do Presídio Estadual de Erechim
Inauguração de fábrica de calçados no Presídio Estadual de Sarandi promove a ressocialização de apenados.
Uma cerimônia no Presídio Estadual de Sarandi, realizada na última sexta-feira, marcou a abertura de uma nova fábrica de calçados dentro da instituição. O projeto é fruto de uma parceria entre a Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo (SSPS) do Rio Grande do Sul, a empresa Beira Rio e o atelier de costura Maeve, visando a capacitação de até 50 trabalhadores.
Embora a inauguração tenha sido um evento formal, a fábrica já está em funcionamento, com oito detentos do regime fechado trabalhando ativamente no local. Essa iniciativa é parte de um esforço contínuo do governo gaúcho para oferecer oportunidades de qualificação aos apenados, promovendo sua reintegração à sociedade através do trabalho.
Os detentos que participam do programa recebem benefícios como remuneração de até 75% do salário-mínimo e redução de pena. Essa abordagem busca não apenas oferecer um sustento, mas também facilitar a transformação desses indivíduos enquanto cumprirem suas penas.
Com uma área de 100 metros quadrados, a fábrica foi concluída em aproximadamente 90 dias e equipada com máquinas de costura e equipamentos de produção adequados à indústria calçadista. Adequações estruturais foram feitas para garantir a segurança na movimentação dos detentos entre a ala da fábrica e outras partes do presídio.
A SSPS destacou que este novo espaço foi planejado para proporcionar melhores condições de trabalho aos apenados, contribuindo assim para a dignidade no cumprimento da pena e para o fortalecimento das políticas de ressocialização.
O investimento para a implementação do projeto foi de cerca de R$ 100 mil, provenientes de recursos das Comarcas de Sarandi e Constantina, além de apoio da prefeitura de Sarandi e da Delegacia Regional da Polícia Penal.
O programa “Mãos que Reconstroem”, que visa utilizar mão-de-obra carcerária na construção de leitos de unidade de terapia intensiva (UTI), foi implementado no ano passado e é um dos exemplos de iniciativas que buscam integrar a população carcerária ao mercado de trabalho. Este programa já gerou mais de 2.170 vagas de trabalho, mostrando que a ressocialização é uma prioridade.
De acordo com Jorge Pozzobom, titular da SSPS, a fábrica representa um avanço significativo na criação de oportunidades para os apenados, permitindo que eles se preparem para a vida após a prisão. A diretora do Departamento Técnico e de Tratamento Penal, Rita Leonardi, complementou que a oferta de trabalho nas unidades prisionais representa dignidade e novas perspectivas de futuro.
A Beira Rio tem se mostrado uma grande aliada nesse processo, implementando a mão de obra prisional há três anos e já contando com nove linhas de produção, incluindo a nova unidade de Sarandi. O gerente industrial da empresa, Sandro da Silva, enfatizou a importância de quebrar paradigmas e demonstrar que o trabalho prisional pode ser uma solução eficaz para a crise de mão de obra, beneficiando tanto a empresa quanto os apenados.
