França lidera disputa pelos trens de alta velocidade na Itália
A SNCF entra na corrida pelos trens de alta velocidade na Itália a partir de 2027.
A SNCF, a companhia ferroviária estatal da França, anunciou que começará a operar trens de alta velocidade na Itália a partir de setembro de 2027. A aprovação para essa operação foi concedida recentemente, permitindo que a empresa desafie a Trenitalia, estatal italiana, e a Italo, empresa privada, na disputa pelo transporte ferroviário de passageiros.
Com essa nova estratégia, a SNCF planeja oferecer até 13 viagens de ida e volta nos corredores que ligam Turim a Nápoles e Turim a Veneza. A expectativa é que essa expansão gere cerca de 4 mil empregos, abrangendo tanto posições diretas quanto indiretas, contribuindo assim para a economia local.
Os trens que a SNCF utilizará na Itália são os TGV M, fabricados pela Alstom. Embora a entrega desses trens tenha enfrentado atrasos, a companhia francesa está otimista, com o início das operações previsto para julho do próximo ano na linha Paris-Lyon-Marselha. É importante ressaltar que a infraestrutura ferroviária italiana limita as velocidades a 200 km/h em grande parte de sua rede de alta velocidade, o que exigiu adaptações nos trens.
Na rota Turim-Veneza, a SNCF oferecerá quatro viagens diárias, enquanto na rota Turim-Nápoles, serão nove. Esta última é especialmente estratégica, pois conecta importantes cidades como Milão, Florença e Roma, representando uma oportunidade significativa para crescimento e lucratividade.
A chegada da SNCF à Itália não foi simples. A empresa enfrentou uma batalha judicial contra a Rete Ferroviaria Italiana (RFI), que controla a rede ferroviária do país. Desde 2021, a subsidiária italiana da SNCF buscou garantir sua entrada no mercado, apresentando queixas à Autoridade de Concorrência da Itália (AGCM) para assegurar condições justas de competição.
Após um longo processo, a AGCM finalmente autorizou a SNCF a operar, permitindo que a empresa francesa concorra com as operadoras locais. Para isso, a SNCF pretende adotar uma abordagem focada em tarifas competitivas, com a meta de conquistar 15% do mercado de alta velocidade na Itália. A estratégia é inspirada no modelo de sucesso que a SNCF implementou na Espanha.
Enquanto isso, a Renfe, operadora espanhola, também está de olho no mercado italiano. Embora não tenha confirmado oficialmente seus planos para a alta velocidade, a Renfe já tomou medidas que indicam seu interesse, como a aquisição de 33% da Arenaways, uma empresa ferroviária italiana, o que lhe permitirá operar linhas regionais a partir de 2025.
A Renfe, que já opera serviços de alta velocidade na Espanha, está se preparando para expandir sua presença na Itália, onde possui certificações para operar em toda a rede ferroviária, facilitando sua entrada em rotas de alta velocidade no futuro.
A dinâmica entre Espanha, Itália e França está criando uma intensa competição no setor ferroviário europeu. A SNCF, após superar obstáculos legais, finalmente poderá oferecer seus serviços na Itália, enquanto a Renfe, por sua vez, continua a explorar oportunidades de expansão.
Na França, a Renfe enfrenta desafios para operar em território francês, onde a Trenitalia já estabeleceu conexões com Paris. A luta por um espaço no mercado europeu de alta velocidade é intensa e promete trazer mudanças significativas na forma como os passageiros se deslocam entre esses países.
Apesar das dificuldades, a Renfe tem colhido frutos positivos de suas operações internacionais, como demonstrado pelos resultados financeiros obtidos na linha de alta velocidade Meca-Medina. A empresa segue diversificando suas operações fora da Espanha, com projetos em países como a República Tcheca e na Rail Baltica.
