Frutas e legumes descartados são transformados em couro vegetal comestível no Espírito Santo

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Projeto do Ifes transforma frutas em fonte de renda para agricultores familiares.

Um projeto inovador do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) está ajudando agricultores familiares a reaproveitar frutas que seriam descartadas, transformando-as em produtos com valor comercial.

A iniciativa, realizada no campus de Venda Nova do Imigrante, ensina uma técnica de desidratação que transforma frutas e legumes maduros em lâminas flexíveis, semelhantes a um “couro vegetal” comestível.

Essas lâminas são isentas de lactose, glúten e açúcar, podendo ser utilizadas em diversas aplicações gastronômicas, incluindo a produção de flores decorativas para bolos e eventos.

A técnica utiliza frutas que já não têm valor para venda in natura. Após serem higienizadas e transformadas em purê, elas são espalhadas em camadas finas e desidratadas.

Após um processo que pode durar de 12 horas a um dia e meio, o resultado é uma lâmina maleável, pronta para ser cortada e modelada.

De acordo com a coordenadora do projeto, Zâmora Santos, a ideia é dar uma nova vida a frutas que normalmente seriam desperdiçadas. O projeto já testou diversas frutas, como pitaya, limão siciliano, goiaba, maracujá, tomate e café, resultando em uma cartilha com orientações técnicas para replicar o processo.

Durante três meses, dez produtores da agricultura familiar participaram de um curso prático, recebendo formação teórica e kits com desidratadores para aplicar a técnica em suas propriedades.

O projeto é parte da iniciativa InovaTech do Ifes e conta com o apoio de diversas instituições, como o Incaper e o Sebrae.

Redução de perdas no campo

Na propriedade de Vanuza Rosa Falqueto, em Venda Nova do Imigrante, a diversidade de cultivos, incluindo palmito, laranja e café, frequentemente levava à perda de produtos que não atingiam a quantidade necessária para venda.

Com a nova técnica, Vanuza começou a transformar limão siciliano e palmito juçara em lâminas comestíveis, reduzindo o desperdício e ampliando sua receita.

Outra produtora, Maria Dalva Garcia Andrerão, está se capacitando para utilizar jabuticabas cultivadas na propriedade, diversificando ainda mais sua produção.

O extensionista do Incaper, Thiago Monteiro, ressalta que o projeto promove a sustentabilidade ao agregar valor a produtos que já não estão aptos para o consumo in natura.

Produto no mercado

Após o término das aulas, os produtores recebem acompanhamento técnico para definir estratégias de preço e embalagem, visando a comercialização dos produtos.

A expectativa é que as lâminas comestíveis, que já deram origem a pratos como medalhões de pêssego e lasanha de berinjela, possam ser integradas ao comércio local, ampliando as oportunidades de renda e reduzindo o desperdício de alimentos.

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