Governo planeja encerrar subsídios a combustíveis com estabilização do petróleo em torno de US$ 80, afirma Ceron

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Brasil pode encerrar subsídios a combustíveis com estabilização do petróleo.

O Brasil está considerando o fim dos subsídios aos preços de combustíveis, como diesel e gasolina, caso o preço do petróleo se estabilize em torno de US$ 80 por barril. Essa decisão está atrelada a um possível acordo entre os Estados Unidos e o Irã que poderia pôr fim ao conflito no Oriente Médio, conforme declarou um alto funcionário do Ministério da Fazenda.

Em uma recente entrevista, o secretário-executivo do ministério indicou que a conclusão do conflito poderia não apenas melhorar as expectativas de inflação, mas também aliviar a pressão sobre os juros futuros. Isso abriria espaço para o Banco Central adotar uma política monetária mais flexível e reduzir os custos da dívida pública.

Nos próximos 30 dias, o governo monitorará de perto a evolução dessa situação, ressaltando a necessidade de prudência em um cenário marcado por incertezas. A guerra já provocou oscilações significativas nos preços do petróleo, além de impactar variáveis econômicas como juros e câmbio.

O secretário enfatizou que, se o preço do petróleo se estabilizar, não haverá justificativa para a continuidade das medidas de subsídio, que foram implementadas em resposta ao aumento dos preços internacionais do petróleo desde o início do conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã.

Essas medidas emergenciais, que incluem cortes tributários e subsídios, foram criadas para mitigar os efeitos da alta dos combustíveis e têm validade de dois meses, com algumas já prorrogadas até julho. O governo acredita que esse período será suficiente para avaliar os impactos de um possível fim da guerra.

Embora o preço de US$ 80 por barril represente um aumento em relação ao início do ano, a valorização do real em relação ao dólar, que passou de R$ 5,20 para cerca de R$ 5,00, ajudou a moderar a pressão inflacionária associada ao aumento dos custos de energia.

Recentemente, os futuros do petróleo Brent caíram 5,1%, fechando a US$ 78,96, à medida que surgiram informações sobre um acordo provisório para encerrar o conflito e reabrir o Estreito de Ormuz.

Medidas de estímulo

Após revisões nas expectativas de corte de juros pelo Banco Central, o secretário apontou que as projeções para a inflação foram significativamente afetadas pela guerra no Irã. Ele refutou a ideia de que as medidas de estímulo do governo tenham sido as principais responsáveis pela pressão inflacionária.

Com a expectativa de que os preços do petróleo se acomodem, há uma previsão de que as expectativas de inflação voltem a se alinhar com a meta de 3%, permitindo uma maior flexibilidade na política monetária.

Desde o início do mês, economistas têm estimado um impacto superior a R$ 200 bilhões das novas medidas de estímulo, que incluem subsídios e garantias, mas que também geram preocupações sobre a crescente dívida pública.

O secretário destacou que não existem estímulos de grande magnitude que possam impulsionar a economia de forma significativa, citando uma desaceleração nas vendas no varejo como um sinal de que a atividade econômica está perdendo força.

A Fazenda projeta um crescimento do PIB de 2,3% para este ano, dentro de uma faixa que não deve gerar pressões inflacionárias. O mercado, por sua vez, tem revisado suas projeções, agora estimando uma alta de 1,96% segundo o boletim Focus do Banco Central.

Ceron também comentou sobre a confusão entre medidas fiscais e estímulos econômicos, afirmando que algumas ações, como a ampliação da isenção do Imposto de Renda, não necessariamente pressionam a inflação.

Ele exemplificou iniciativas de crédito subsidiado para caminhões e veículos para motoristas de aplicativos, que têm um efeito deflacionário no setor.

Fiscal

O secretário reconheceu os desafios fiscais do país e a necessidade de um debate sobre o crescimento das despesas obrigatórias. Contudo, ele afirmou que não há espaço para novas propostas fiscais em meio a um período eleitoral.

Ceron argumentou que a alta dos juros no Brasil, que afeta a dívida pública, não pode ser atribuída apenas ao quadro fiscal, mas também a fatores como o baixo nível de poupança no país

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