Lula afirma nunca ter sido esquerdista durante diálogo no G7
Conversa entre líderes no G7 revela posicionamento de Lula sobre política global.
A conversa informal entre Lula, a presidente do FMI, Kristalina Georgieva, e o chanceler alemão, Christian Merz, ocorreu nos bastidores da Cúpula do G7, em Évian-les-Bains, França, e foi amplamente divulgada durante a transmissão do evento.
Durante a interação, Lula destacou que governos de direita, como os republicanos nos Estados Unidos e os conservadores na França, estiveram no poder por períodos mais longos em comparação aos liderados pela esquerda. Ele observou que “nos Estados Unidos, os republicanos ficaram mais no governo do que os democratas”, e que na França, “os socialistas também tiveram um tempo de governo significativamente menor”.
O presidente brasileiro afirmou que isso demonstra que “o mundo não é de esquerda”, provocando risadas do chanceler alemão. Em seguida, completou que “o mundo é do caminho do meio”, refletindo uma visão política que busca um equilíbrio entre as ideologias.
Georgieva, relembrando o início do primeiro mandato de Lula em 2003, comentou que muitos esperavam que ele fosse um esquerdista, mas destacou que ele não se encaixou nesse estereótipo. Lula, por sua vez, reafirmou que “nunca foi esquerdista”, enquanto a presidente do FMI observou que essa era a imagem predominante na época.
O presidente brasileiro mencionou sua trajetória como dirigente sindical, ressaltando suas boas relações com o sindicalismo alemão, italiano e espanhol. Essa experiência, segundo Lula, lhe permitiu um entendimento mais profundo das demandas dos trabalhadores durante sua atuação no Partido dos Trabalhadores (PT), fundado em 1980.
Embora tenha sido eleito presidente do Brasil em 2002 e reeleito em 2006, Lula tem se mostrado crítico do próprio partido e da esquerda brasileira desde que assumiu seu terceiro mandato em 2023. Ele acredita que, nos últimos anos, a direita e grupos conservadores conseguiram se conectar de maneira mais eficaz com a sociedade brasileira.
O ex-líder sindical, que ganhou notoriedade ao liderar uma das maiores greves do país na década de 1970 e foi preso pela ditadura militar, utiliza seu passado para argumentar que, em sua época, o PT era mais eficaz em dialogar com os anseios dos trabalhadores.
Entretanto, pesquisas de popularidade indicam que Lula enfrenta dificuldades em traduzir os sucessos de seus governos em apoio popular. Apesar de afirmar que nunca se identificou como esquerdista, essa visão não é compartilhada por setores do agronegócio e do mercado financeiro, que mantêm uma percepção diferente sobre sua figura.
A Presidência da República foi consultada sobre as declarações de Lula, mas não respondeu até o momento. No Brasil, as declarações do presidente no G7 geraram reações nas redes sociais, sendo celebradas por militantes opositores e políticos adversários.
O deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança manifestou-se nas redes sociais, sugerindo que a esquerda agora tenta “fingir que nunca foi esquerda”. Ele criticou a tentativa de rebranding da esquerda, afirmando que, quando a marca apodrece, eles mudam a embalagem e adotam novos rótulos que ocultam suas intenções originais.
