Governo sinaliza possibilidade de revisão da Malha Sul ferroviária em audiência na Federasul
Debate sobre o futuro da Malha Sul ferroviária destaca preocupações e propostas de melhoria.
O encontro Tá na Mesa, realizado na Federasul, promoveu um extenso debate sobre o futuro da Malha Sul ferroviária, reunindo representantes do governo federal, estados e setor empresarial. Este evento se destacou por trazer à tona dados relevantes, além de discutir a possibilidade de postergar as audiências públicas e realizar uma reunião técnica para análise dos projetos de concessão.
Durante a reunião, o diretor-presidente da Infra S.A., Jorge Bastos, anunciou a intenção de solicitar a prorrogação das audiências públicas, que estavam programadas para 16 de julho. Bastos também comprometeu-se a abrir o sigilo dos estudos técnicos, atendendo à demanda por uma maior transparência nas informações.
Clóvis Magalhães, secretário de Logística e Transporte do Rio Grande do Sul, expressou preocupação com o acesso restrito às informações, mencionando que o relatório com as conclusões do grupo de trabalho está sob sigilo empresarial. Ele alertou que o novo modelo proposto reduzirá a malha ferroviária de 7.223 km para 4.248 km, resultando em uma perda significativa para o estado.
Entre os riscos identificados estão a fragilização territorial, a dependência de um aporte fiscal de R$ 4,9 bilhões, sujeito a contingenciamento, e ineficiências operacionais, como tráfego direto quebrado e portos subutilizados. Magalhães criticou o modelo, afirmando que ele promove a redução da malha ferroviária em vez de sua expansão.
O secretário de Portos, Aeroportos e Ferrovias de Santa Catarina, Ivan Amaral, também criticou a falta de acesso aos estudos, ressaltando a necessidade de desenvolver corredores logísticos que integrem o interior produtor aos portos de Rio Grande, Itajaí e Paranaguá, além de fortalecer as conexões com as regiões Sudeste e Centro-Oeste.
Rodrigo Sousa Costa, presidente da Federasul, foi contundente em suas declarações: “O Rio Grande do Sul tem cicatrizes profundas de concessões mal conduzidas. A empresa Rumo tem tratado seus clientes de forma hostil. Se as ferrovias dos três estados do Sul não estiverem conectadas com os demais estados do Brasil, nosso futuro será sombrio.” Ele enfatizou a importância de uma malha ferroviária conectada para reduzir custos logísticos e apoiar o crescimento das exportações do agronegócio e da indústria.
O secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, reconheceu a defasagem tecnológica da malha ferroviária, construída nos anos 1990, e reafirmou que os projetos estão na fase de participação social. As audiências públicas estão programadas para ocorrer em Brasília, Curitiba, Porto Alegre e Florianópolis, com a possibilidade de contribuições online. Ribeiro concluiu que esta iniciativa faz parte da estratégia do governo federal para aprimorar a infraestrutura ferroviária nacional e aumentar a competitividade no Mercosul.
