Guerra no Irã pode impulsionar criação do petroyuan, aponta banco alemão
Conflito no Oriente Médio pode ameaçar o domínio do dólar como moeda global.
O impacto da guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã poderá reverberar por um longo período, afetando tanto o setor energético quanto a reconfiguração de relações geopolíticas. Análises indicam que o atual conflito pode ser um fator decisivo para a possível desestabilização do “petrodólar” e a ascensão do “petroyuan”.
O “petrodólar” é um acordo estabelecido em 1974, onde a Arábia Saudita, a maior exportadora de petróleo do mundo, concordou em vender seu petróleo em dólares americanos e a investir os lucros em ativos denominados na mesma moeda. Em contrapartida, os EUA garantiram segurança militar à nação saudita. Esse arranjo fez com que o dólar se tornasse a moeda predominante no comércio internacional, especialmente em transações de petróleo.
Contudo, o atual conflito no Oriente Médio pode colocar em dúvida a capacidade dos EUA de proteger seus aliados na região. Já houve ataques a infraestruturas energéticas na Arábia Saudita e no Qatar, e a dificuldade dos EUA em garantir a segurança do estreito de Ormuz afeta a economia de toda a região.
Além disso, a guerra intensifica tendências que já estavam em andamento, como a diminuição da dependência dos países do Oriente Médio em relação ao mercado americano. A maior parte do petróleo que transita pelo estreito de Ormuz, por exemplo, já está sendo direcionada para a Ásia, com a China recebendo cerca de 40% desse petróleo.
A China, por sua vez, tem buscado reduzir sua dependência do dólar em transações internacionais. No ano passado, o país utilizou um sistema independente do SWIFT para realizar uma transação em yuan digital com os Emirados Árabes Unidos, e a Arábia Saudita já está integrada a esse novo sistema de pagamentos.
Essa movimentação pode sinalizar o surgimento do “petroyuan”, a utilização crescente da moeda chinesa em transações de petróleo, o que poderia enfraquecer ainda mais a posição do dólar no comércio global. A China se apresenta como um parceiro comercial mais atraente para o Oriente Médio, oferecendo estabilidade em um contexto onde os EUA se veem envolvidos em um conflito prolongado, gerando perdas financeiras significativas.
Um relatório aponta que, se os países do Golfo Pérsico estreitarem suas relações comerciais com a Ásia, precificando menos petróleo em dólares, isso poderá ter consequências profundas para o uso do dólar no comércio e na poupança global.
