Guerra no Irã provoca queda superior a 30% nas exportações brasileiras para o Golfo Pérsico
Queda nas exportações brasileiras para o Golfo Pérsico reflete desafios logísticos e geopolíticos.
Dados recentes revelam que as exportações brasileiras para o Golfo Pérsico totalizaram US$ 537,1 milhões em março, marcando uma queda significativa de 31,47% em comparação ao mesmo mês do ano anterior.
O Golfo Pérsico abriga mercados estratégicos para o Brasil, incluindo Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Omã e Bahrein. O agronegócio é o principal responsável por essas vendas, representando cerca de 75% das exportações brasileiras para a região.
O milho, um dos produtos-chave, praticamente não foi exportado, enquanto as vendas de açúcar e melaços também apresentaram uma forte retração. Outros grãos, como trigo e centeio, não tiveram embarques relevantes para o Golfo Pérsico em março.
A principal causa dessa queda é atribuída a problemas logísticos. O aumento das tensões na região resultou em taxas adicionais cobradas por companhias de navegação e a adoção de rotas mais longas, muitas vezes contornando o continente africano para evitar a passagem pelo estreito de Ormuz.
Esse desvio não só prolonga o tempo de viagem, mas também encarece o transporte, impactando diretamente os custos para os exportadores.
Especialistas do mercado financeiro destacam que eventos geopolíticos, como o conflito no Irã, têm um papel importante na dinâmica do comércio de commodities, alterando não apenas rotas logísticas, mas também pressionando custos de seguro e aumentando a volatilidade dos preços.
“A geopolítica voltou a ditar regras no fluxo global de mercadorias”, afirma um especialista do setor.
As tensões internacionais exigem que as empresas exportadoras realizem um planejamento mais rigoroso, considerando as possíveis mudanças nas rotas e custos.
Carnes e commodities mantêm demanda
Apesar da queda nas exportações para o Golfo Pérsico, alguns produtos continuam a ter demanda, sustentando o fluxo comercial com a região. As carnes, especialmente, permanecem como um dos principais pilares da pauta brasileira.
O frango é o item mais exportado pelo Brasil para o Golfo, liderando as vendas externas tanto em 2025 quanto no início deste ano.
A carne bovina também demonstrou resiliência, com aumento no valor exportado, impulsionado principalmente pela alta dos preços internacionais, e não necessariamente pelo aumento no volume embarcado.
A relação comercial entre Brasil e Golfo não se limita apenas às exportações. O Brasil também depende de produtos da região, especialmente fertilizantes nitrogenados, que são essenciais para a produção agrícola. Países como Omã, Qatar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos se destacam como principais fornecedores desses insumos.
Com as incertezas sobre a duração do conflito e as dificuldades no transporte marítimo, empresas brasileiras têm antecipado compras para garantir seus estoques.
Consequentemente, em março, as importações de fertilizantes nitrogenados provenientes desses países aumentaram em mais de 265%, conforme dados do setor.

Produção de soja e milho em Macapá – Exportação para a Guiana Francesa.
