Haddad afirma que a lei deve ser aplicada sem parcialidade em relação a Jaques Wagner

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Haddad defende aplicação da lei após operação da PF envolvendo Jaques Wagner.

Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao Governo de São Paulo, declarou em entrevista ao Kritike Podcast que a aplicação da lei deve ser imparcial, independentemente de vínculos pessoais ou políticos. Sua afirmação ocorreu após a Polícia Federal realizar uma operação que visou o senador Jaques Wagner, líder do governo no Senado.

Haddad expressou sua esperança de que a Justiça prevaleça, ressaltando a importância de que a lei seja aplicada sem distinções. Ele lamentou que, caso uma pessoa próxima a ele tenha cometido erros, isso não deve interferir na busca pela verdade e na aplicação da justiça.

A operação da PF, parte da nova fase da Operação Compliance Zero, investiga irregularidades relacionadas ao Banco Master e foi autorizada pelo ministro do STF, André Mendonça. Durante a ação, foram encontrados cerca de US$ 55 mil e 33 mil euros, totalizando aproximadamente R$ 471 mil, em locais associados a Wagner. A assessoria do senador alegou que a quantia se refere a diárias legais que foram declaradas, mas não utilizadas em missões oficiais.

Wagner se defendeu, afirmando que não é réu nem foi acusado em processos relacionados às investigações e que está à disposição para prestar esclarecimentos às autoridades competentes.

Haddad enfatizou que a relação pessoal ou política não deve obstruir a investigação de suspeitas e a aplicação da lei. Ele destacou que, se um adversário não cometeu erros, seus direitos devem ser respeitados, mas se um aliado falhar, a verdade deve prevalecer.

O pré-candidato ainda mencionou que Wagner já havia se manifestado sobre as investigações, e que cabe às autoridades avaliar suas explicações. Durante a entrevista, Haddad elogiou o presidente Lula, afirmando que sob sua administração as instituições funcionam corretamente, em contraste com a postura do ex-presidente Jair Bolsonaro, que ele acusou de interferir na Polícia Federal para proteger seus filhos.

A investigação da PF sobre Wagner busca esclarecer pagamentos suspeitos recebidos pelo senador relacionados ao Banco Master, supostamente realizados através da empresa da esposa de seu enteado, além de um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões.

Foi identificado um pagamento de R$ 3,5 milhões de uma empresa ligada ao empresário Augusto Lima ao “núcleo familiar” de Wagner, o que, segundo a decisão do ministro Mendonça, é uma evidência da conexão entre o senador e o empresário.

A defesa de Lima se manifestou, afirmando que todos os fatos serão esclarecidos e que ele sempre atuou dentro da legalidade.

Jaques Wagner, de 75 anos, é um político experiente, tendo sido ex-governador da Bahia e ministro nos governos de Lula e Dilma Rousseff. Em 2018, ele foi alvo da Operação Cartão Vermelho, que investigou repasses de empreiteiras na construção da Arena Fonte Nova, mas a operação foi anulada em 2019 pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

Na entrevista, Haddad lembrou desse episódio, citando a defesa de Wagner na época, que afirmou não ter cometido irregularidades. A operação foi considerada inadequada pela Justiça, pois os recursos para a reforma do estádio eram do estado da Bahia e não da União.

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