Transformações em Cuba: as novas medidas de livre mercado que vão revolucionar a ilha
Cuba implementa reformas econômicas significativas para enfrentar crise
Mais de 400 deputados da Assembleia Nacional do Poder Popular se reuniram para votar 176 propostas que abrangem diversos setores econômicos, apresentadas pelo primeiro-ministro Manuel Marrero.
As mudanças foram aprovadas por meio de votação manual e incluem a reestruturação de empresas privadas e estatais, além de modificações nos sistemas bancário, turístico, agrícola, de investimento estrangeiro, tributário, salarial e no mercado de câmbio.
“Este é o programa de reforma econômica mais profundo anunciado nos últimos 70 anos da história econômica do país, desde a vitória da Revolução de 1959”, destacou um economista.
O professor de ciência política de uma universidade americana oferece uma perspectiva mais cautelosa sobre as reformas.
“Acredito que sejam mudanças menores. O tempo dirá, mas conhecemos o histórico do governo cubano. Quando promove aberturas semelhantes, frequentemente retorna atrás assim que os negócios começam a prosperar”, afirmou.
Após a Revolução de 1959, liderada por Fidel Castro, diversas empresas privadas e negócios familiares foram nacionalizados. Desde então, ajustes na doutrina econômica socialista foram realizados, mas sem alterar os princípios de um sistema centralizado e planejado.
Em 2021, pela primeira vez em 50 anos, pequenas e médias empresas (PMEs) foram autorizadas, como resposta à crise e ao descontentamento social, resultando em mais de 10 mil delas atualmente, empregando um terço da força de trabalho do país.
Mudanças drásticas
A agricultura, o turismo, o setor bancário e o mercado de câmbio agora poderão receber investimentos privados, tanto nacionais quanto estrangeiros, algo que antes era restrito a empresas estatais.
Além disso, os cubanos poderão ter mais de um negócio privado e participar de outras empresas, com negociações salariais permitidas dentro das organizações.
“A essência das transformações propostas é ampliar o papel do setor privado na economia cubana, e essas são mudanças drásticas. Não estamos falando de meros ajustes cosméticos”, enfatizou um economista.
Até o momento, não foi anunciado um cronograma para a implementação das reformas, nem há planos para contestar o sistema político dominado pelo Partido Comunista Cubano (PCC).
“São transformações que visam corrigir o rumo, mas sempre em defesa do socialismo”, declarou o presidente Miguel Díaz-Canel após a votação.

Miguel Díaz-Canel, presidente de Cuba, diz estar pronto para defender o país dos Estados Unidos durante o 65º aniversário da vitória da invasão na Baía dos Porcos.
“Decisões soberanas”
“Não estamos fazendo isso devido à pressão dos ‘ianques’. Estamos fazendo isso como um ato soberano”, afirmou Díaz-Canel, em meio ao aumento da pressão dos Estados Unidos sobre a ilha.
Os Estados Unidos manifestam claramente o desejo de ver uma mudança no modelo econômico e político em Cuba.
“Se eles tomarem decisões inteligentes, teremos uma relação muito melhor”, comentou o vice-presidente dos Estados Unidos sobre a situação cubana.
