Identidade se torna novo foco em segurança diante de desafios em ambientes híbridos e multicloud
A evolução da cibersegurança requer foco na identidade digital.
Durante muitos anos, a segurança digital se baseou na proteção do perímetro da rede, utilizando firewalls e controles de acesso para bloquear ameaças externas. Contudo, esse modelo está se tornando obsoleto em um cenário onde múltiplas nuvens, aplicações distribuídas e o trabalho híbrido são cada vez mais comuns.
Atualmente, usuários acessam sistemas de diferentes locais, enquanto aplicações trocam informações entre plataformas e serviços automatizados realizam tarefas sem intervenção humana. Nesse contexto, a identidade, seja humana ou não, precisa ser central na estratégia de cibersegurança. É fundamental não apenas identificar a origem de uma conexão, mas também verificar quem ou o que está solicitando acesso, quais permissões têm e se a solicitação é compatível com o contexto em que ocorre.
Em ambientes híbridos e multicloud, cada plataforma pode ter seus próprios mecanismos de autenticação e políticas de acesso. A falta de integração e governança adequadas pode criar lacunas de visibilidade e dificultar a identificação de acessos indevidos, aumentando o risco de segurança.
Um dos principais riscos associados a essa diversidade é o excesso de permissões. Contas antigas ainda ativas, credenciais compartilhadas e privilégios desnecessários podem ampliar a superfície de ataque. Além disso, contas de serviço, APIs e robôs de automação também acessam dados críticos e precisam ser protegidos com controles rigorosos. Estima-se que, em média, existam 82 identidades não humanas para cada identidade humana, o que evidencia a complexidade do gerenciamento de identidades.
O modelo de segurança Zero Trust se torna cada vez mais relevante, pois estabelece que nenhum usuário, dispositivo ou sistema deve ser considerado automaticamente confiável, mesmo após a autenticação. O acesso deve ser avaliado com base em fatores como identidade, contexto, dispositivo, sensibilidade do recurso e risco associado à solicitação.
Na prática, isso implica na adoção de autenticação multifator, concessão de privilégios mínimos, segmentação de acesso, monitoramento contínuo e revisão periódica das permissões. A implementação eficaz requer um mapeamento detalhado das identidades existentes, compreensão dos recursos acessados e a definição de critérios claros de autorização, especialmente em organizações que utilizam diversos provedores de nuvem e sistemas legados.
Manter uma visão consistente dos acessos é um desafio significativo. A administração isolada de permissões pode dificultar a identificação de privilégios excessivos e atrasar a resposta a incidentes, especialmente quando é necessário bloquear credenciais em diferentes ambientes.
Uma estratégia eficaz deve incluir a criação, concessão de privilégios, mudanças de função, revisão de acessos e desativação de contas. Cada identidade deve ter apenas as permissões necessárias, pelo tempo necessário, para minimizar riscos.
A automação pode ser uma aliada na padronização desses processos e na redução de falhas operacionais. A integração de registros de acesso e informações de segurança permite a identificação de comportamentos anômalos, como elevações inesperadas de privilégios ou uso indevido de credenciais. Quanto maior a visibilidade, maior a capacidade de detectar desvios e responder rapidamente a incidentes.
A ascensão da inteligência artificial adiciona uma nova camada à gestão de identidades. Agentes de IA e sistemas automatizados podem acessar bases de dados, acionar aplicações e executar tarefas em nome de usuários ou organizações, necessitando de credenciais e permissões que definam seus limites de atuação.
Quando esses acessos são excessivos ou não monitorados, podem ocorrer falhas de configuração e credenciais comprometidas, expondo informações e sistemas críticos. Portanto, a governança deve incluir os agentes de IA, estabelecendo limites claros, rastreabilidade, revisão de permissões e mecanismos de revogação para garantir que a inovação avance com controles proporcionais aos riscos.
Tratar a identidade como um componente central da segurança é essencial. Isso envolve integrá-la à estratégia de proteção de dados, continuidade dos negócios e gestão de riscos, começando pelo mapeamento das identidades, eliminação de acessos desnecessários e adoção de autenticação robusta.
Não existe uma solução única para todos os desafios. A estratégia deve considerar a complexidade da infraestrutura, os requisitos regulatórios, a criticidade dos dados e a maturidade de segurança de cada organização.
A identidade conecta pessoas, aplicações, dispositivos e serviços aos recursos que sustentam as operações. Garantir que cada acesso seja legítimo, necessário e monitorado é crucial para proteger os negócios em uma infraestrutura cada vez mais distribuída.