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Reflexões sobre o Jornalismo e sua Prática no Brasil
O jornalismo, enquanto profissão, tem se destacado por sua capacidade de se promover, mas a questão que se levanta é se isso é realmente merecido.
Millôr Fernandes, conhecido por sua ironia, uma vez afirmou que o jornalismo é a oposição, enquanto o restante seria apenas um “armazém de secos e molhados”. Essa crítica é particularmente pertinente ao contexto sulista, onde a prática jornalística muitas vezes se assemelha a grandes bodegões, conforme mencionado por Mino Carta, onde os jornalistas tratam seus patrões como colegas.
Histórias de jornalistas que realmente marcaram a profissão incluem Karl Marx e Vladimir Lenin, que usaram a imprensa para defender revoluções sociais. Emile Zola também se destacou ao publicar “J’accuse” no jornal L’Aurore, durante o caso Dreyfus. Além disso, figuras como Ernest Hemingway e George Orwell contribuíram para a cobertura da Revolução Espanhola, mostrando o poder do jornalismo como uma ferramenta de mudança.
No Brasil, as vozes que se destacaram são escassas. Luiz Gama e José do Patrocínio lutaram pela abolição da escravatura, enquanto Euclides da Cunha, em “Os Sertões”, começou sua trajetória como correspondente do Estado de São Paulo. Samuel Wainer, com sua famosa entrevista com Getúlio Vargas, também deixou sua marca na história do jornalismo brasileiro.
Carlos Drummond de Andrade, em “A Rosa do Povo”, aborda a realidade de forma mais contundente do que muitos jornalistas de sua época. Durante o golpe militar de 1964, a censura imperou, mas algumas vozes, como a de Carlos Heitor Cony, se destacaram em meio ao silêncio, publicando críticas ao regime.
Nos jornais da família Mesquita, a censura foi enfrentada de maneira criativa, substituindo textos censurados por versos de Camões ou receitas de bolos. No Sul, a situação foi ainda mais crítica, com o jornal Zero Hora, que surgiu após o fechamento da Última Hora, inicialmente saudando o golpe de 64 como uma “Revolução que evitou o comunismo no Brasil”.
Desde então, pouco mudou na prática jornalística. A cobertura das invasões dos Estados Unidos na Venezuela e Cuba, por exemplo, é feita sem críticas ao imperialismo norte-americano. A situação se agrava ainda mais na cobertura do genocídio na Palestina e dos ataques ao Irã, onde a aliança ideológica de alguns jornais locais com Israel se torna evidente.
Enquanto isso, patrões e empregados se reúnem na Associação Rio Grandense de Imprensa, reforçando a ideia, expressa pelo Barão de Itararé, de que no Brasil “não existe liberdade de imprensa, mas de empresa”.
