Indústria moderniza equipamentos, mas automação atinge apenas 5%, aponta CNI
Incerteza econômica é o principal obstáculo para investimentos em bens de capital no Brasil.
A indústria brasileira demonstra um compromisso contínuo com a renovação de seu parque fabril, embora a modernização tecnológica ainda receba uma fatia reduzida dos investimentos. Um estudo recente revela que 61% das empresas citam a incerteza econômica como a principal barreira para a aquisição de novos bens de capital.
Em 2025, 74% das indústrias investiram na compra de máquinas e equipamentos novos, mas apenas 5% desse montante foi direcionado à automatização da produção. A maior parte dos investimentos concentrou-se na mecanização dos processos produtivos, com 72% das empresas priorizando essa abordagem.
Os dados também revelam que, entre as empresas que adquiriram novos equipamentos, a robotização representou 9% dos investimentos, enquanto a automatização ficou com apenas 5%. A automatização é definida como a produção realizada por máquinas conectadas em rede, capazes de transmitir e processar dados de forma autônoma.
A pesquisa ainda destaca que a incerteza econômica é citada como a principal barreira por 61% dos entrevistados. Outros fatores limitantes incluem a queda nas receitas e os entraves tributários, mencionados por 47% das empresas, seguidos pelas incertezas específicas do setor produtivo (46%) e pela falta de mão de obra qualificada (43%).
As diferenças de investimento também são notáveis conforme o porte das empresas. Entre as grandes indústrias, 78% investiram em novos equipamentos em 2025, enquanto o percentual foi de 72% nas médias empresas e 66% nas pequenas. A automatização representou 7% dos investimentos das grandes empresas, em comparação com 4% nas médias e apenas 2% nas pequenas.
Além disso, as grandes empresas se destacaram na aquisição de máquinas importadas, com 56% optando por equipamentos de fora, em contraste com 40% que escolheram máquinas nacionais.
Em termos de origem dos equipamentos, houve uma mudança significativa em relação a 2024. Naquele ano, as máquinas importadas representavam 48% das compras, enquanto as nacionais ficavam em 47%. Em 2025, essa tendência se inverteu, com 48% dos equipamentos adquiridos sendo fabricados no Brasil e 47% importados.
Para fomentar um aumento nos investimentos em tecnologias mais avançadas, a ampliação do acesso ao crédito, especialmente para pequenas empresas, é considerada uma estratégia crucial. Isso poderia ajudar a reduzir a disparidade tecnológica entre empresas de diferentes tamanhos.
A Sondagem Especial nº 105 coletou dados de 599 empresas entre os dias 5 e 14 de janeiro de 2026, com o objetivo de mapear os investimentos realizados em 2025.
