Inteligência artificial avança no mercado brasileiro de software, afirma Abes
Inteligência Artificial se consolida como prioridade nas estratégias das empresas brasileiras, segundo estudo da Abes.
A Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes) divulgou recentemente a segunda parte do Estudo Mercado Brasileiro de Software – Panorama e Tendências 2026. O relatório, fundamentado em dados da IDC, revela que a inteligência artificial (IA) deixou de ser uma mera aposta e agora ocupa um papel central nas estratégias tecnológicas das empresas no Brasil.
O uso de agentes de IA está em ascensão, demonstrando sua importância na automação de processos, na elevação da produtividade e na inovação de modelos de negócio. Essa transformação é um reflexo do crescente reconhecimento da IA como uma ferramenta essencial para a competitividade no mercado.
De acordo com a pesquisa, 53% dos executivos afirmam que a IA generativa e os agentes de IA são prioridades para investimentos em tecnologia neste ano. Em seguida, a segurança da informação e a segurança em nuvem são mencionadas por 41% dos entrevistados, enquanto Inteligência Artificial e Machine Learning aparecem com 35%. A infraestrutura de nuvem e Big Data e Analytics têm 24% cada uma. O estudo ouviu 103 executivos C-Level no Brasil e 507 na América Latina.
Atualmente, 40% das empresas estão investindo em agentes de IA, e outras 33% planejam iniciar projetos nos próximos 12 meses. Isso indica que sete em cada dez organizações brasileiras já estão ou planejam implementar agentes inteligentes em breve.
Desafios para ampliar o uso da IA
Apesar do progresso, a adoção da IA enfrenta desafios significativos. As empresas estão acelerando a implementação de agentes inteligentes, mas ainda lutam para medir o retorno sobre investimento e estabelecer métricas consistentes para avaliar o impacto.
As complexidades da IA dificultam uma visão clara sobre como as empresas podem alcançar suas metas tecnológicas. A maturidade no uso da IA requer tempo e compreensão de seus efeitos reais, conforme destacado por especialistas no setor.
Além da mensuração de resultados, as empresas enfrentam barreiras relacionadas à qualidade dos dados, à modernização de sistemas legados, à governança, à escalabilidade dos projetos e à escassez de profissionais qualificados, o que limita a utilização da IA em larga escala.
Mercado brasileiro de software
Em 2025, o Brasil contava com 41.613 empresas atuando nos segmentos de software e serviços, movimentando um mercado avaliado em US$ 35,4 bilhões. O país se destaca como o principal mercado de tecnologia na América Latina e mantém sua relevância em um cenário global de transformação digital, com crescente adoção de IA e modernização da infraestrutura tecnológica.
As médias empresas representam 3,4% do mercado, enquanto as grandes organizações têm uma participação de apenas 2,3%. No que diz respeito às atividades, as empresas de serviços lideram com 37,6% do total, seguidas por distribuidoras de tecnologia (33,3%) e desenvolvedoras de software (29,1%).
Setores financeiros são os maiores consumidores de tecnologia no Brasil, respondendo por 25,4% do mercado de software e serviços. Os segmentos de Serviços e Telecomunicações e Indústria vêm em seguida, totalizando cerca de 70% dos investimentos em software e serviços no país.
O varejo, por sua vez, apresentou o menor crescimento nos investimentos (apenas 8%), reflexo do investimento significativo feito durante a pandemia, quando a demanda por vendas online aumentou.
Projeções indicam que o mercado brasileiro continuará a crescer em 2026, embora de forma mais seletiva, com foco na eficiência operacional. A expectativa é de um crescimento de 5,3% para TI, 3,9% para Telecom e 4,6% para Business IT, que inclui serviços, outsourcing, cloud e soluções corporativas.
O cenário futuro aponta para uma maior ênfase em iniciativas que promovam produtividade, automação, modernização de processos e retorno sobre investimento, consolidando a IA como um vetor fundamental de transformação empresarial nos próximos anos.
