Interpol é mobilizada em investigação de missionário americano acusado de matar filho de 3 anos em Viamão
Missionário é preso após confessar agressão fatal a criança em Viamão.
A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) buscaram informações através da Interpol sobre um missionário norte-americano detido em Viamão, acusado de espancar até a morte um menino de 3 anos. Ele vive no Brasil desde 2017 e as autoridades investigam se há antecedentes criminais fora do país.
As investigações também se concentram no período em que a família residiu em São Paulo e Santa Catarina antes de se mudar para Águas Claras, no início deste ano. O caso veio à tona na manhã de 3 de julho, quando Oliver Golden Grayson foi levado ao hospital com lesões graves. Protocólos médicos alertaram a Brigada Militar, resultando na prisão do suspeito, que foi convertida em preventiva pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul no dia seguinte.
Durante o interrogatório, o missionário de 33 anos reconheceu sua culpa, alegando que a agressão se deu após a criança não responder a um cumprimento. As agressões foram severas, incluindo socos e a cabeçada do menino contra o chão, com a possibilidade de uso de um objeto contundente.
Após a transferência para o Hospital de Pronto Socorro, a criança faleceu na madrugada de 9 de julho. No mesmo dia, a mãe, originária do Japão, foi presa por omissão. Ela já havia autorizado a doação dos órgãos da criança, e os detalhes sobre o velório e sepultamento permaneceram em sigilo.
O missionário enfrentará acusações de homicídio, com agravantes como motivo fútil e meio cruel, enquanto a situação da mãe é incerta. A investigação sobre seu papel na dinâmica familiar ainda está em andamento.
A defesa da mulher argumenta que ela não estava presente durante o ataque e que vivia em uma situação de grave vulnerabilidade, com registros de violência doméstica. O casal possui outros quatro filhos, que já foram encaminhados a uma instituição de acolhimento devido a relatos de violência em sua trajetória anterior.
O prefeito de Viamão, Rafael Bortoletti, anunciou a abertura de uma sindicância para apurar responsabilidades da rede municipal em relação à situação da família. Ele destacou que o menino já havia sido atendido com hematomas em um posto de saúde no passado e que a família estava sob acompanhamento do Conselho Tutelar.
Desde então, a família participou de diversos encontros em serviços de assistência social, mas em janeiro, a criança apresentou uma fratura no braço, alegadamente causada por uma queda.
