Israel e Líbano Reiniciam Negociações nos EUA Após Ataque Fatal a Jornalista Libanesa

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Jornalista libanesa é morta em ataque israelense enquanto cobria conflito no sul do Líbano.

A morte da jornalista Amal Khalil, ocorrida no sul do Líbano, gerou repercussão internacional e levantou questões sobre a segurança dos profissionais de imprensa na região. O ataque que resultou em sua morte também feriu uma fotógrafa que a acompanhava.

Uma nova rodada de negociações entre os embaixadores do Líbano e de Israel está agendada para esta quinta-feira. O secretário de Estado dos EUA participará da reunião, que ocorre um dia após o ataque que vitimou Khalil. O presidente libanês, Joseph Aoun, mencionou que a embaixadora libanesa em Washington pedirá a extensão do cessar-fogo e o fim das demolições em vilarejos do sul.

Beirute busca a extensão da trégua como condição para avançar nas negociações, que incluem a retirada israelense, a devolução de libaneses detidos em Israel e a definição da fronteira terrestre.

O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, declarou que o país decidiu negociar diretamente com o Líbano após mais de 40 anos, mas classificou o Líbano como um “Estado falido”. Ele também criticou o Hezbollah, chamando-o de “Estado terrorista”.

O Líbano e Israel estão oficialmente em estado de guerra desde a criação de Israel, em 1948. Apesar disso, a principal autoridade xiita do Líbano, o presidente do Parlamento, se opõe a negociações diretas, sugerindo que as conversas poderiam ser indiretas.

Ataque que resultou na morte de Khalil

O Exército israelense não se manifestou imediatamente sobre a morte de Khalil, mas anteriormente havia reconhecido que dois jornalistas ficaram feridos em seus ataques. A morte de Khalil elevou o número de vítimas para cinco em um dia que foi considerado o mais letal desde o cessar-fogo de 10 dias, que havia sido anunciado em abril.

Amal Khalil e a fotógrafa Zeinab Faraj estavam cobrindo eventos em al-Tayri quando um ataque israelense atingiu seu veículo. Elas buscaram abrigo em uma casa próxima, que também foi atacada. Faraj foi resgatada com ferimentos, mas Khalil não sobreviveu.

O primeiro-ministro do Líbano classificou o ataque a jornalistas como “crimes de guerra” e afirmou que o país tomará medidas para levar esses casos às instâncias internacionais. O Ministério da Saúde do Líbano relatou que o Exército israelense obstruiu a missão de resgate ao disparar contra a ambulância.

Os socorristas conseguiram retornar ao local quatro horas após o ataque inicial e, após mais buscas, encontraram o corpo de Khalil. O Al-Akhbar, jornal para o qual ela trabalhava, confirmou sua morte.

Justificativas do Exército israelense

O Exército israelense alegou que havia identificado veículos que cruzaram sua linha de defesa, representando uma ameaça. Um dos veículos foi atingido, resultando na morte de duas pessoas. Israel afirmou que não tem como alvo jornalistas, mas o ataque levanta preocupações sobre a proteção dos profissionais de imprensa em zonas de conflito.

Desde o início da ofensiva israelense em resposta a ataques do Hezbollah, mais de 2,4 mil pessoas foram mortas no Líbano, segundo autoridades locais. Israel busca estabelecer uma zona de amortecimento na fronteira para proteger seu território de novos ataques.

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