Japão aumenta taxa de juros para 1%, o maior patamar desde 1995
Banco do Japão eleva taxa de juros para o maior nível desde 1995.
O Banco do Japão (BOJ) decidiu, em reunião realizada na terça-feira, elevar a taxa básica de juros de 0,75% para 1%. Esta é a primeira alta desde dezembro e representa o maior nível desde 1995.
A nova taxa entra em vigor na quarta-feira e faz parte do processo de normalização da política monetária iniciado em março de 2024, quando o BOJ aumentou os juros pela primeira vez em 17 anos. Além disso, a taxa aplicada aos empréstimos concedidos pelo banco também subirá, passando de 1% para 1,25%.
A decisão foi aprovada por uma maioria de 7 votos a 1. O conselheiro Toichiro Asada foi o único a votar contra, argumentando que os riscos relacionados à redução da produção e do emprego superam as pressões inflacionárias.
O BOJ afirmou que a economia japonesa continua a mostrar uma recuperação moderada, embora alguns setores apresentem sinais de fraqueza. O aumento nos preços do petróleo tem impactado a atividade econômica, mas os lucros das empresas, juntamente com a melhora no emprego e na renda, têm sustentado o crescimento.
O governo também implementou medidas para aliviar o impacto dos custos de energia nas famílias, além de buscar fornecedores alternativos de matérias-primas, o que ajudou a mitigar o risco de uma desaceleração econômica acentuada.
A inflação ao consumidor, desconsiderando os alimentos frescos, está em aproximadamente 1,5%, abaixo da meta de 2%. No entanto, o BOJ destacou que o aumento dos preços do petróleo está sendo rapidamente repassado entre as empresas e deve afetar uma gama maior de produtos.
Em maio, o índice de preços ao produtor registrou um aumento de 6,3% em relação ao ano anterior, o maior avanço em três anos, impulsionado principalmente pelos custos de energia.
Após o anúncio da elevação da taxa, o índice Nikkei 225 subiu 0,46%. O iene foi negociado a ¥160,22 por dólar, enquanto o rendimento dos títulos públicos japoneses de 10 anos avançou 3 pontos-base, atingindo 2,615%.
O presidente do BOJ, Kazuo Ueda, não participou da reunião devido a uma internação relacionada a uma infecção em um cisto hepático. O vice-presidente Ryozo Himino liderou o encontro.
O BOJ também reiterou seu plano de redução gradual das compras mensais de títulos públicos, com um cronograma estabelecido até março de 2027, que inclui uma redução de cerca de 200 bilhões de ienes por trimestre. O banco poderá aumentar temporariamente as compras caso haja um aumento rápido nos juros de longo prazo.
