Lula e Motta destacam importância das mães na revisão da escala 6×1
Proposta de fim da escala 6×1 visa melhorar a vida das mães trabalhadoras
No Dia das Mães, o presidente e o presidente da Câmara dos Deputados expressaram apoio à proposta de acabar com a escala 6×1, destacando sua importância para a vida das mulheres, especialmente das mães que trabalham. Essa escala, que exige que os trabalhadores atuem por seis dias seguidos com apenas um dia de descanso, está sendo discutida no Congresso com o objetivo de promover uma jornada de trabalho mais equilibrada.
Lula enfatizou, em um vídeo, que “toda mãe merece mais tempo” para estar com a família e desfrutar de momentos além do trabalho. Ele ressaltou que essa carga de trabalho é ainda mais pesada para as mulheres, que frequentemente acumulam responsabilidades profissionais e domésticas.
O presidente argumentou que, em pleno século 21, não faz sentido que milhões de brasileiros sejam obrigados a trabalhar sob essa carga exaustiva. Ele destacou que a situação das mulheres é particularmente desafiadora, pois muitas delas chegam cansadas do trabalho e ainda precisam lidar com as responsabilidades da casa e dos filhos.
Desigualdade no trabalho doméstico
Dados sobre a desigualdade no trabalho doméstico são utilizados pelo governo para justificar a proposta. As mulheres brasileiras, somando trabalho remunerado e doméstico, trabalham quase dez horas a mais por semana do que os homens, o que representa cerca de 21 dias a mais por ano dedicados aos cuidados da casa e da família.
A carga de trabalho é ainda mais intensa para mulheres negras, que dedicam em média 22,4 horas semanais ao trabalho doméstico, conforme estudos realizados por organizações internacionais em parceria com o governo.
Lula acredita que a eliminação da escala 6×1 permitiria que as mulheres tivessem mais tempo para atividades familiares, estudos e cuidados pessoais.
Defesa da proposta pelo presidente da Câmara
Hugo Motta, por sua vez, também utilizou o Dia das Mães para apoiar a proposta. Ele afirmou que a mudança permitirá que as mães tenham mais tempo para cuidar de seus filhos e da família. Motta destacou que a questão é tanto econômica quanto uma defesa da estrutura familiar brasileira.
Em seu discurso, ele apresentou o relato de uma mãe solo que enfrenta dificuldades para acompanhar a rotina de suas filhas devido à carga de trabalho exaustiva. Motta ressaltou que essa realidade é compartilhada por milhões de mães em todo o Brasil, muitas das quais são as principais responsáveis pelo sustento de suas famílias.
O presidente da Câmara expressou a intenção de avançar com a proposta ainda em maio, destacando a urgência de uma mudança significativa nas condições de trabalho.
Andamento da proposta na Câmara
A discussão sobre o fim da escala 6×1 está em uma comissão especial da Câmara, que analisa duas propostas de emenda à Constituição. A primeira propõe uma redução gradual da jornada semanal de 44 horas para 36 horas, enquanto a segunda sugere uma nova escala de quatro dias de trabalho por semana, também com limite de 36 horas.
O tema se tornou uma prioridade na agenda da Câmara, e a votação deve ocorrer ainda em maio. O relator da proposta na comissão é um deputado que busca um texto que atenda às necessidades de diferentes setores econômicos, apesar das resistências de algumas entidades patronais.
Proposta do governo para jornada 5×2
O governo Lula defende a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, com duas folgas por semana e sem redução salarial. O ministro do Trabalho e Emprego argumenta que a escala 6×1 é prejudicial, especialmente para as mulheres, e que a adoção de uma jornada 5×2 traz benefícios tanto para os trabalhadores quanto para as empresas.
Ele apontou que a escala 6×1 gera custos invisíveis para as empresas, como aumento de faltas e acidentes, e defende que uma jornada mais equilibrada pode melhorar a saúde e a produtividade dos trabalhadores.
Debates sobre a proposta
A comissão especial realizará uma semana de audiências para discutir os impactos da redução da jornada de trabalho. Serão abordados aspectos econômicos e sociais, com a participação de representantes de diversos setores e especialistas.
Os debates incluem experiências de empresas que adotaram jornadas mais curtas, além de discussões sobre a importância do diálogo social na implementação de mudanças significativas nas condições de trabalho.
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