Lula participa de testes e se reúne com Aprobio para debater progresso do biodiesel
Visita de Lula ao IMT destaca avanços na mistura de biodiesel ao diesel fóssil.
Nesta segunda-feira (13/07), às 10h, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estará no Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), em São Caetano do Sul (SP), para acompanhar os testes que examinam a viabilidade técnica da ampliação da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel fóssil. Essa visita é um marco importante da Lei do Combustível do Futuro, que estabelece metas de descarbonização e busca aumentar a participação de biocombustíveis na matriz energética brasileira.
Atualmente, o Brasil adota uma mistura de 15% de biodiesel (B15) ao diesel. O programa de testes, liderado pelo Ministério de Minas e Energia, está avaliando percentuais superiores, entre B16 e B25, considerados cruciais para fundamentar futuras decisões regulatórias. O presidente da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio), Jerônimo Goergen, reforça que o setor já possui experiências bem-sucedidas com misturas de até 20%, o que proporciona segurança para avançar.
Goergen salienta a importância da metodologia do programa de testes, que deve esclarecer quaisquer dúvidas sobre a viabilidade de uma mistura mais elevada, até o B25. Ele acredita que já há elementos suficientes para garantir a adoção segura de misturas como B16 e B17 em breve.
Produção e impacto econômico
O Brasil figura como o terceiro maior produtor mundial de biodiesel, com uma capacidade instalada superior a 9 bilhões de litros por ano. Em 2025, a produção nacional superou 7 bilhões de litros, movimentando uma cadeia que envolve mais de 50 usinas ativas e milhares de agricultores. A soja é a principal matéria-prima, representando cerca de 70% do total utilizado, seguida por gordura animal e óleo de algodão.
A ampliação da mistura obrigatória impactará diretamente a economia, aumentando a demanda por grãos, fortalecendo a cadeia de proteínas animais por meio de uma maior oferta de farelo e reduzindo a dependência de importações de diesel fóssil. Isso também gerará empregos e impulsionará investimentos em inovação e logística.
Viés regulatório e institucional
A presença do presidente Lula e do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, evidencia o comprometimento do governo com a transição energética. O Subcomitê de Avaliação da Viabilidade Técnica de Misturas de Altos Teores de Biocombustíveis, estabelecido em outubro de 2025, coordena os estudos que apoiarão a regulamentação da Lei do Combustível do Futuro.
A Aprobio, como parceira do projeto, defende a necessidade de previsibilidade regulatória e segurança jurídica para atrair investimentos e consolidar o biodiesel como um ativo estratégico. O diálogo com o governo busca harmonizar os interesses econômicos, ambientais e sociais, garantindo que o Brasil avance de maneira segura e competitiva.
Sustentabilidade e transição energética
Do ponto de vista ambiental, o biodiesel desempenha um papel fundamental na redução das emissões de gases de efeito estufa. Desde a implementação do programa nacional em 2008, estima-se que a substituição parcial do diesel fóssil por biodiesel tenha evitado a emissão de mais de 80 milhões de toneladas de CO₂. A ampliação da mistura obrigatória representa um avanço significativo na transição para uma matriz energética mais limpa e sustentável.
A visita presidencial ao IMT coloca o biodiesel novamente em destaque nas discussões sobre energia e transporte. Para Lula, é essencial alinhar o governo e a indústria em um projeto que combina competitividade, sustentabilidade e inovação. Para Jerônimo Goergen e a Aprobio, essa é uma chance de consolidar o setor como protagonista na transição energética brasileira, defendendo o avanço imediato para misturas como B16 e B17 e preparando o caminho para misturas superiores, como B20 e B25.
