Lula planeja enviar nome de Messias ao Senado apesar do risco de rejeição por Alcolumbre na indicação ao STF

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Presidente Lula deve enviar indicação de Jorge Messias ao STF esta semana.

Quatro meses após a escolha, o presidente Lula informou a aliados que pretende enviar ao Senado a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF).

A decisão de encaminhar a documentação está definida, mas Lula deseja ter uma última conversa com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Relatos indicam que Alcolumbre sugeriu aguardar as eleições para realizar a sabatina.

Articuladores do governo acreditam que o ambiente político está mais favorável à indicação de Messias agora do que em novembro, quando foi escolhido. Nos últimos meses, ministros do STF, incluindo aqueles indicados por Jair Bolsonaro, manifestaram apoio a Messias.

Entretanto, aliados de Alcolumbre, que preferem manter o anonimato, afirmam que a resistência à indicação de Lula aumentou com o avanço das investigações sobre o esquema do Banco Master, que revelou a participação de líderes do centrão.

Alcolumbre, que defende o nome de Rodrigo Pacheco para a vaga, sugeriu que Lula aguardasse até após as eleições de outubro para enviar a mensagem ao Senado, o que resultaria em um ano de espera para o indicado.

Desde a escolha de Messias, Lula tem tentado sensibilizar Alcolumbre a favor de seu indicado, mas, sem sucesso, decidiu prosseguir com o processo. Aliados do presidente ressaltam que a indicação ao STF é uma prerrogativa que ele não pretende abrir mão.

Há uma pressão para que a votação ocorra antes de maio, antes do recesso informal que marca os anos eleitorais. Messias expressou a desejo de enfrentar a votação para concluir esse ciclo.

Lula discutiu a situação com o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, e o presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Otto Alencar, em um almoço recente, onde Otto indicou que Messias tem boas chances de ser aprovado.

O presidente do Senado chegou a agendar a sabatina de Messias após o anúncio de Lula, mas teve que cancelar devido à falta de documentos necessários, uma estratégia utilizada pelo presidente para ganhar tempo e buscar maior apoio.

Messias já havia sido cogitado para o STF durante a aposentadoria de Rosa Weber, mas a vaga foi preenchida pelo ex-ministro da Justiça, Flávio Dino. Apesar de não ter sido escolhido, sua influência com Lula cresceu, tornando-se o principal consultor jurídico do presidente.

Lula elogia a competência e lealdade de Messias, afirmando que ele está preparado para a vaga deixada pela aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso.

Messias, procurador da Fazenda Nacional desde 2007, também ocupou cargos de consultoria em ministérios e ganhou destaque por seu trabalho na reestruturação da Esplanada durante a transição de governo.

No governo Dilma, ele foi subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, sendo conhecido como “Bessias” após um episódio relacionado à Lava Jato. Embora não tenha havido irregularidades, o episódio representa um momento difícil para os governos petistas.

Durante o governo Bolsonaro, Messias foi chefe de gabinete de Wagner no Senado. Inicialmente distante de Lula, conquistou a confiança do presidente ao atuar na coordenação jurídica da transição, redigindo decretos e definindo o Orçamento de 2023.

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