Primeiro Secretário de Comunicação do Rio Grande do Sul é nomeado

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Ibsen Pinheiro e a Política Gaúcha: Um Encontro Marcante em Tempos de Mudança

Em 2002, Ibsen Pinheiro retornou ao cenário político após a cassação de seus direitos em 1994, buscando justiça com o slogan “por uma questão de justiça”. No entanto, esse apelo não teve o impacto esperado nas urnas.

A estratégia que resultou na sua cassação foi orquestrada por figuras proeminentes do Partido dos Trabalhadores, que viam Ibsen como um obstáculo à Presidência da República. Ele havia se destacado como presidente da Câmara dos Deputados e na condução do impeachment de Fernando Collor, o que o tornava uma figura influente e temida no cenário político.

Embora não tenha participado ativamente da campanha de 2002, que resultou em 32 mil votos para Ibsen, busquei informações sobre seus novos rumos políticos. Ao ligá-lo, fui recebido com a habitual cordialidade.

Combinamos um encontro no estádio Beira-Rio. Ao chegar, percebi que o clima era tenso, pois o Internacional se preparava para um jogo decisivo contra o Paysandu, com a necessidade de vencer para evitar o rebaixamento.

Enquanto observava o treino, uma piada sobre mudanças na equipe técnica me fez lembrar da rivalidade entre torcedores. Ibsen, ao me avistar, deixou seu grupo de conselheiros e se aproximou, perguntando se eu estava ali para trazer sorte.

Decidi ser direto e, em vez de falar sobre futebol, mencionei sua participação na elaboração do programa de governo de Germano Rigotto, que se tornaria o grande vencedor nas eleições daquele ano.

Discutimos o desgaste do governo do PT, marcado por escândalos de corrupção e conflitos, e a necessidade de uma comunicação eficaz no novo governo. A vitória de Rigotto, com 52,67% dos votos, indicava que os petistas eram hábeis na comunicação, e era crucial evitar conflitos para garantir uma gestão estável.

Após nossa conversa, o Internacional venceu o Paysandu, garantindo sua permanência na série A do Campeonato Brasileiro, um resultado que poderia ser atribuído a diversos fatores.

Na semana seguinte, Ibsen me ligou novamente. O governador Rigotto estava alinhado com nossa conversa sobre comunicação e confiava em Ibsen para implementar uma política de “atrito zero”.

Argumentei que, para isso, era essencial que a Comunicação tivesse um papel de destaque e autonomia no governo, e não fosse apenas uma função burocrática. Para que a estratégia funcionasse, Ibsen precisaria de autoridade política real.

Em dezembro, Rigotto anunciou seu secretariado, e Ibsen foi nomeado como o primeiro secretário de Comunicação do Rio Grande do Sul, um marco na política estadual.

No dia da posse, o Palácio Piratini estava lotado, e Rigotto fez um discurso emocionado sobre a reconciliação política, pedindo aplausos até para os petistas presentes, que enfrentaram vaias.

Embora tenha tentado me aproximar de Ibsen, a agitação do evento dificultou nosso contato. Dois dias depois, recebi outra ligação dele, mas essa é uma história para outro momento.

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