Madeira e minerais não metálicos são os setores mais impactados pela nova tarifa
Nova sobretaxa de 25% dos EUA afetará US$ 11 bilhões em exportações brasileiras.
A recente decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros impactará significativamente as exportações do Brasil, totalizando cerca de US$ 11 bilhões, o que representa 26,2% do total exportado. A medida entrará em vigor a partir de 22 de julho e afetará mais de 4.000 produtos, conforme estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Os setores mais prejudicados incluem madeira, minerais não metálicos, químicos e alimentos. A análise mostra que 60,3% das exportações afetadas são de bens intermediários utilizados na indústria norte-americana, o que destaca a importância do Brasil como fornecedor neste mercado.
O setor de madeira será o mais impactado, com 83,1% das exportações para os EUA sujeitas à nova tarifa. Isso inclui produtos como molduras de madeira, estacas e portas de emergência.
Outros setores que sofrerão com a sobretaxa incluem:
- Minerais não metálicos: 56,3% (granito, lajes, azulejos e tijolos);
- Químicos: 51,8% (álcool etílico, peptones e derivados);
- Alimentos: 44,8% (açúcar, sebo não comestível e carne suína congelada);
- Veículos automotores: 30,3% (peças e máquinas para fabricação);
- Celulose e papel: 24,0% (papel para escrita e massa base para caixas);
- Máquinas e equipamentos: 12,5% (tratores e veículos de transporte).
Em resposta à pressão do setor produtivo, o governo dos EUA incluiu 429 novas exceções, como ferro-gusa e café instantâneo, o que ajudou a mitigar os potenciais prejuízos em US$ 2,3 bilhões para a indústria brasileira.
Ricardo Alban, presidente da CNI, destacou que a ampliação da lista de produtos isentos representa um alívio, embora ainda haja um longo caminho a percorrer. Ele enfatizou a necessidade de concentrar esforços nos setores que continuam sujeitos às tarifas.
A primeira proposta do USTR abrangia 1.698 produtos, mas a medida final inclui 2.126 itens, resultando na inclusão de novos produtos e na exclusão da polpa química de madeira para dissolução.
Além da tarifa de 25%, os Estados Unidos estão conduzindo uma segunda investigação que pode resultar em uma nova sobretaxa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros, elevando o total da sobretaxa para até 37,5%.
