Manual ensina leigos a ligar motocicleta da Segunda Guerra Mundial
Conheça o complexo processo de ligar uma motocicleta da Segunda Guerra Mundial.
Atualmente, ligar uma motocicleta é um ato simples, realizado com o toque de um botão ou até mesmo sem chave. No entanto, há 80 anos, a realidade era bem diferente.
Naquela época, os motociclistas enfrentavam um procedimento muito mais trabalhoso e demorado para dar partida em suas máquinas. Apesar da modernidade, muitos entusiastas ainda preservam essas motocicletas clássicas, como a Harley-Davidson WLA de 1942, que exige um conhecimento detalhado para ser ligada e pilotada.
O afogador era fundamental
O processo para ligar essa motocicleta, projetada para a Segunda Guerra Mundial, era complexo e exigia um manual específico para que o motociclista pudesse entender cada etapa. É improvável que um motociclista moderno soubesse como realizar essa tarefa, exceto talvez aqueles que já tiveram experiências com motos antigas carburadas.
Os fabricantes de motocicletas abandonaram a carburação há muito tempo. Hoje, ligar uma moto é um processo rápido, muitas vezes concluído antes mesmo de vestir o equipamento de pilotagem. No entanto, a Harley-Davidson WLA de 1942 apresentava um cenário diferente, onde cada passo demandava tempo e atenção.
O estado do motor, se frio ou quente, influenciava a facilidade de dar a partida. Inicialmente, era necessário posicionar a moto de forma estável, já que o processo de partida envolvia um chute do motociclista, o que poderia desestabilizar a máquina, especialmente em terrenos irregulares.
O câmbio precisava estar em ponto morto, e a embreagem era acionada pelo pé esquerdo, enquanto as marchas eram trocadas manualmente. A válvula de combustível, localizada ao lado do tanque, tinha que estar completamente aberta.
O próximo passo era girar o punho esquerdo na posição de abertura total, controlando a faísca que incendiava a mistura de ar e combustível. Após isso, a alavanca de partida a pedal era puxada, e o afogador precisava estar na posição “para cima” (fechado). O acelerador deveria ser aberto ao máximo para permitir o fluxo de combustível.
Com todas essas etapas concluídas, mantendo a alavanca do freio dianteiro acionada, o motociclista dava os chutes necessários na alavanca de partida, utilizando o movimento do quadril para obter força. Se a moto não pegasse, o afogador deveria ser ajustado para uma posição intermediária, acionando-se novamente o acelerador e girando a chave de ignição para a primeira posição à direita. Com sorte, um ou dois chutes vigorosos poderiam fazer o motor funcionar.
Uma vez que o motor aquecia, o afogador precisava ser totalmente aberto. Durante a partida, a mistura de combustível e ar precisava ser ajustada, evitando que o motor afogasse. É importante ressaltar que, durante todo esse processo, a moto permanecia parada.
Para começar a rodar, o motociclista acionava a embreagem com o pé esquerdo e engatava a primeira marcha com a mão esquerda. A sequência de marchas, de cima para baixo, era 1-N-2-3, o que difere bastante das motos modernas.
Essa motocicleta americana, equipada com um motor V-twin de 740 cc, alcançava quase 100 km/h e foi projetada para auxiliar os soldados americanos durante a Segunda Guerra Mundial, com sua produção iniciada em 1940.
Embora pilotar essas motos clássicas traga um charme inigualável, é um alívio saber que hoje em dia dar a partida e pegar a estrada leva apenas alguns segundos.
