PL destina R$ 600 mil a ONG que recebeu emendas de bolsonarista para produção de filme
PL investe R$ 600 mil em ONG para produção de documentário sobre regimes autoritários
O diretório nacional do PL destinou R$ 600 mil do fundo partidário para a ONG Passos da Liberdade, que está realizando a assessoria de comunicação em Minas Gerais. A entidade, presidida por um pré-candidato do partido no Rio Grande do Sul, está produzindo um documentário intitulado “Nós”, que aborda regimes autoritários comunistas.
O documentário, anteriormente conhecido como “Genocidas”, contou com emendas parlamentares que totalizam R$ 860 mil, provenientes de deputados do PL. A estreia do filme está agendada para o dia 15 de julho, em Brasília.
A ONG recebeu R$ 150 mil mensais do PL entre janeiro e abril deste ano. Localizada em Porto Alegre, a Passos da Liberdade foi criada em 2023 e se apresenta como uma associação dedicada à defesa de direitos sociais, com uma linha conservadora em suas produções.
Dirigido por Gustavo Lopes, ex-secretário nacional de Audiovisual, o filme se propõe a explorar a história dos regimes comunistas na Europa após a Segunda Guerra Mundial. Lopes já tem experiência em projetos conservadores, tendo escrito livros que abordam temas semelhantes.
Rodrigo Cassol Lima, que é coprodutor e responsável jurídico do documentário, é acompanhado por Doriel Francisco, corroteirista e proprietário da Dori Filmes, responsável por outro documentário que traça a trajetória política de Jair Bolsonaro.
O filme “Nós” foi filmado em diversos países europeus, incluindo Polônia, Alemanha e Hungria, e, segundo informações, não deve fazer menção ao ex-presidente Bolsonaro.
A estreia do documentário deve contar com a presença de figuras proeminentes da direita, embora a lista de convidados ainda não tenha sido divulgada.
A Passos da Liberdade confirmou a existência de um contrato com o PL para prestação de serviços de comunicação institucional, esclarecendo que a natureza do contrato não está relacionada a campanhas eleitorais ou à promoção pessoal de seus dirigentes.
A ONG também enfatizou que não há remuneração para seu presidente em decorrência deste contrato e que a contratação não se vincula a projetos do Ministério da Cultura.
Além disso, a Passos da Liberdade negou qualquer relação com o filme “Dark Horse”, que gerou controvérsias envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, destacando que suas iniciativas e projetos são distintos e possuem finalidades diferentes.
Sobre o contrato com o PL, a ONG afirmou que não pode fornecer detalhes devido a uma cláusula de confidencialidade, mas reafirmou sua conformidade com as normas legais e contratuais vigentes.
Até o momento, o PL não se manifestou sobre o assunto quando contatado pela imprensa.
