Mauro Vieira condena tarifas dos EUA e destaca etanol, açúcar e carne bovina

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Ministro critica tarifas comerciais dos EUA e defende posição brasileira

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, expressou nesta quinta-feira (4) sua insatisfação em relação às novas tarifas propostas pelos Estados Unidos, afirmando que o país ignorou os argumentos apresentados pelo Brasil nas investigações comerciais em curso.

Vieira, que se encontrava em Paris, destacou que a recomendação de tarifas ocorreu antes do término do prazo de 30 dias estabelecido entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump para buscar uma solução negociada. As investigações abordam questões que podem impactar significativamente as cadeias do agronegócio brasileiro, incluindo etanol, açúcar, desmatamento e carne bovina.

Durante uma reunião com o representante comercial dos EUA, embaixador Jamieson Greer, o chanceler ressaltou que a recomendação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) foi feita antes do prazo acordado, indicando uma falta de consideração por parte dos norte-americanos.

O USTR propôs tarifas de 25% por supostas práticas desleais e 12,5% devido a alegações de falhas do Brasil em combater a importação de produtos relacionados ao trabalho forçado. Ambas as investigações foram fundamentadas na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, de 1974.

Dentre os tópicos levantados pelos EUA, estão o acesso ao mercado de etanol, o desmatamento ilegal e casos de trabalho análogo à escravidão na pecuária. Os Estados Unidos contestam a tarifa brasileira de 18% sobre o etanol, enquanto aplicam apenas 2,5% ao produto importado. Essa discussão também está ligada à barreira tarifária que o Brasil enfrenta para exportar açúcar para o mercado norte-americano, onde a tarifa cobrada é quatro vezes maior.

No que diz respeito ao meio ambiente, Vieira argumentou que as alegações sobre desmatamento desconsideram dados recentes, que mostram uma redução significativa na área desmatada na Amazônia Legal em 2025, comparado a 2022. Estudos do MapBiomas também indicam uma diminuição do desmatamento nos biomas brasileiros no último ano.

A disputa comercial traz preocupações adicionais sobre a competitividade externa, o acesso a mercados e possíveis custos extras para as cadeias de exportação. Até o momento, não foram especificados os produtos que sofrerão as novas tarifas, nem os prazos para sua implementação.

Vieira afirmou que o processo ainda está em negociação e que Greer mencionou haver espaço para novas tratativas. Sem um cronograma claro ou detalhes sobre os produtos afetados, o impacto real sobre os exportadores brasileiros dependerá dos desdobramentos futuros nas relações comerciais entre os dois países.

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