Mello expressa arrependimento por apoio à indicação de Moraes ao STF
Marco Aurélio Mello expressa arrependimento por apoio à indicação de Moraes ao STF.
O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, revelou em entrevista recente um profundo arrependimento por ter apoiado a indicação de Alexandre de Moraes ao cargo, feita pelo então presidente Michel Temer em 2017. Mello afirmou que, se o arrependimento tivesse poder, ele estaria “morto”.
A declaração de Mello surgiu após a divulgação de conversas entre Moraes e Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e fundador do extinto Banco Master. O ex-ministro classificou as denúncias como extremamente graves, refletindo a seriedade da situação.
Ele recordou que, após o trágico acidente aéreo que resultou na morte do ministro Teori Zavascki, sugeriu o nome de Moraes ao presidente Temer, considerando seu currículo e experiência como adequados para o cargo. Mello destacou a trajetória de Moraes como acadêmico e sua atuação em diversos cargos públicos, incluindo o Ministério da Justiça.
“Os fatos que vieram à balha são seríssimos. Quando caiu o avião e morreu o ministro Teori Zavascki, eu disse que o presidente Temer tinha um homem talhado para o cargo. Se arrependimento matasse eu não estaria aqui hoje conversando com vocês”, afirmou Mello.
O ex-ministro também criticou os excessos cometidos por Moraes, lamentando o apoio que lhe foi dado na época. As conversas entre Vorcaro e Moraes fazem parte de um parecer da Polícia Federal, cujo sigilo foi levantado recentemente.
Moraes, por sua vez, acusou o ministro André Mendonça de abuso de autoridade e crime de responsabilidade. Em resposta, Mello defendeu a atitude de Mendonça, considerando-a correta, e criticou a atual dinâmica do Tribunal, apontando uma inversão de valores.
ENTENDA O CASO
Um relatório de 218 páginas, elaborado pela Polícia Federal, analisou o celular de Daniel Vorcaro e reuniu mensagens trocadas entre ele e o ministro Alexandre de Moraes. O aparelho foi apreendido durante a operação Compliance Zero, que investiga fraudes na venda de carteiras de crédito do Banco Master ao Banco de Brasília.
Vorcaro foi detido na primeira fase da operação, em novembro de 2025. O relatório foi solicitado por Mendonça para identificar uma possível rede de influência associada a Vorcaro e foi entregue à Justiça em agosto de 2026.
As mensagens analisadas foram enviadas pelo recurso de visualização única do WhatsApp, o que limita a visualização das respostas dos interlocutores. Isso dificulta a reconstrução completa dos diálogos, especialmente nas conversas entre Vorcaro e Moraes.
A Polícia Federal destacou que a análise não é exaustiva, uma vez que foi realizada em um curto espaço de tempo e pode haver mais informações ainda não identificadas. O conteúdo das conversas foi revelado ao público após a retirada do sigilo da ação, trazendo à tona questões delicadas sobre a relação entre Moraes e Vorcaro.
