Milhares de Parisienses se Mobilizam Após Justiça Revogar Proibição de Manifestações
França decreta novos toques de recolher após protestos violentos.
Milhares de pessoas se reuniram em Paris na quinta-feira (22), enquanto outras cidades francesas impuseram proibições a manifestações, após confrontos e saques que marcaram o fim de semana anterior. Esses episódios foram considerados os mais violentos dos últimos anos no país.
Os organizadores do protesto em Paris informaram que um tribunal administrativo decidiu derrubar a proibição imposta pela polícia, que havia sido justificada pelo risco de novos confrontos. A medida foi adotada após grupos de jovens encapuzados terem entrado em confronto com a polícia, saqueado lojas e incendiado veículos.
A decisão judicial não foi divulgada publicamente até a manhã do dia do protesto. Os manifestantes, muitos deles jovens, se reuniram pacificamente na região sudeste da capital, sob a vigilância de um forte contingente policial.
Uma faixa estendida durante o ato afirmava que o futuro dos manifestantes já era sombrio sem a necessidade de gás lacrimogêneo.
Os organizadores assinaram um compromisso com a polícia para manter o protesto em um local fixo, evitando a caminhada pelas ruas devido ao risco de violência.
Novas proibições de manifestações eram esperadas para os dias seguintes. O presidente francês declarou que as medidas visam proteger os centros urbanos, os estabelecimentos comerciais e os prédios públicos.
O direito à manifestação é garantido pela Constituição da França. No entanto, as proibições anunciadas para atos em Paris, Lyon, Lille e Grenoble foram criticadas por aqueles que veem as medidas como uma restrição ao direito de protesto.
Grupos de estudantes do ensino médio e universitários afirmaram que continuarão mobilizados, mesmo com o início do recesso escolar de outono.
Após uma reunião extraordinária de segurança no Palácio do Eliseu, Macron indicou que a estratégia para os próximos dias inclui proibir manifestações solicitadas por indivíduos ou grupos sem autorização legítima.
“As regras são simples e fazem parte do bom senso. A recomendação geral é que não haja manifestações nos próximos dias”, disse o presidente. Ele acrescentou que sindicatos que desejarem organizar atos poderão receber propostas de trajetos alternativos das autoridades locais.
Macron atribuiu a violência do fim de semana a ações de grupos de extrema esquerda radical, que, segundo ele, buscam desestabilizar a República, além de criminosos que pretendem saquear estabelecimentos.
As manifestações desta quinta-feira foram vistas como uma preparação para um grande ato programado para sábado (24). Espera-se que ativistas da Confederação Geral do Trabalho (CGT), uma das principais centrais sindicais da França, se unam ao movimento dos coletes amarelos, que protestaram contra os preços dos combustíveis em 2018 e 2019.
Autoridades locais também planejam proibir algumas manifestações em cidades como Lyon, Marselha e Montpellier. Municípios fora da capital também enfrentaram distúrbios, com um incêndio quase destruindo a prefeitura de Limoges, um edifício histórico.
Representantes dos sindicatos relataram que a reunião não resultou em propostas concretas. As entidades agora concentram esforços em uma nova jornada de mobilização prevista para 5 de novembro, convocando trabalhadores dos setores público e privado a participarem.
As manifestações começaram no mês passado em uma escola de ensino médio em Créteil, nos arredores de Paris, em resposta à falta de funcionários. Desde então, paralisações, bloqueios e protestos se espalharam por outros subúrbios da capital e alcançaram diferentes regiões do país.
Os estudantes exigem mais recursos para as escolas, melhorias na infraestrutura e a contratação de funcionários, especialmente em áreas de menor renda. Além disso, parte dos manifestantes pede mudanças no sistema de ingresso nas universidades, considerado complexo e injusto por críticos.
Com a dificuldade do governo em atender às demandas estudantis, os atos e bloqueios escolares passaram a incluir outras reivindicações, como protestos contra o aumento do custo de vida.
A ampliação do movimento ocorre meses antes da eleição presidencial de 2027, que determinará o sucessor de Macron.