Ministro de Netanyahu provoca indignação ao celebrar a fome de palestinos em prisões de Israel, comparando a cena a um campo de concentração
Ministro de Segurança Nacional de Israel gera polêmica ao postar vídeo sobre prisioneiros palestinos.
O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, provocou controvérsia ao compartilhar um vídeo em suas redes sociais, criado com o uso de inteligência artificial, que celebra a fome de prisioneiros palestinos nas prisões israelenses.
A gravação, que foi removida poucas horas após a publicação, apresenta imagens de prisioneiros palestinos entrando em uma prisão e saindo visivelmente mais magros. A representação foi comparada a cenas de campos de concentração nazistas, levantando críticas de diversos setores da sociedade.
Com eleições gerais programadas para outubro, o vídeo foi interpretado como parte da campanha de Ben-Gvir ao Knesset, o Parlamento israelense. Um slogan contido na peça afirmava: “Nós prometemos e cumprimos”.
O ministério liderado por Ben-Gvir é um dos mais radicais do governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, sendo responsável pela administração das prisões que abrigam palestinos. A deterioração das condições para esses prisioneiros é um dos focos de sua agenda política.
No último domingo, Ben-Gvir também publicou um vídeo em que visitava uma prisão feminina destinada a palestinas. Durante a visita, uma detenta expressou suas queixas, relatando que estavam sem banho há três dias e sem acesso a cuidados médicos e roupas limpas.
“As boas condições nas prisões chegaram ao fim. Esta é a situação atual, e sou diretamente responsável por tudo. Estou satisfeito com essas condições”, declarou o ministro.
Desde 1967, os palestinos na Cisjordânia estão sob a jurisdição da lei militar israelense. Isso resulta em detenções frequentes de idosos, mulheres e crianças, muitas vezes sob a justificativa de “ameaças à segurança”, que podem incluir ações como lançar pedras em veículos militares ou defender-se de colonos israelenses que ocupam terras, uma prática considerada ilegal pelo direito internacional.
De acordo com a Fundação humanitária B’Tselem, os palestinos são julgados em tribunais militares, enquanto os israelenses enfrentam um sistema civil, resultando em uma disparidade significativa nas taxas de condenação, que variam de 96% a 99% para os palestinos.
Os colonos israelenses que habitam assentamentos na Cisjordânia são tratados sob um sistema legal distinto, o que evidencia um cenário de desigualdade nas práticas judiciais na região.
Itamar Ben-Gvir
Originário de uma família de judeus iraquianos laicos, Ben-Gvir se alinhou ao kahanismo, uma ideologia sionista radical que defende a expulsão total dos palestinos de suas terras. Ele assumiu o cargo de ministro em 2022, quando Netanyahu formou uma coalizão com a extrema direita no Knesset.
Em 2026, Ben-Gvir se destacou ao propor uma lei que institui a pena de morte por enforcamento para palestinos condenados por ataques letais, a qual foi aprovada no Knesset com 62 votos a favor e 48 contra.
O ministro frequentemente exibe um broche em forma de forca, simbolizando a nova legislação, e fez referências a esse tema em diversas ocasiões, incluindo em seu bolo de aniversário e em um vídeo que mostrava uma forca instalada em uma prisão israelense.
