MP-RJ acusa policiais de crimes em operação nas favelas do Rio

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Dez policiais militares são denunciados por irregularidades em operação no Rio de Janeiro.

Dez policiais militares foram denunciados pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública do Ministério Público do estado do Rio de Janeiro. Os agentes enfrentam acusações graves, incluindo invasão de domicílio, descumprimento de missão e desobediência.

Os crimes teriam ocorrido durante uma operação nas comunidades Nova Holanda e Parque União, localizadas no Conjunto de Favelas da Maré, em janeiro de 2025. As denúncias foram formalmente encaminhadas à Auditoria da Justiça Militar para investigação.

As investigações tiveram início após relatos de testemunhas que se comunicaram com o plantão da ADPF 635, um canal criado para abordar possíveis violações de direitos fundamentais em operações policiais. Essas denúncias apontaram ações de policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope), que atuavam sob o Comando de Operações Especiais (COE), sem autorização judicial e fora das condições legais.

Conforme os relatos, os policiais entraram em residências da comunidade, mesmo na ausência dos moradores. O MP-RJ destacou que o cabo Rodrigo da Rocha Pita utilizou uma chave do tipo “mixa” para abrir portas, permitindo a entrada de outros policiais, incluindo o sargento Cláudio Santos da Silva. Em algumas dessas ações, os agentes surpreenderam moradores que estavam em casa.

Após as invasões, os policiais teriam utilizado os imóveis para fins pessoais, como descansar em sofás e camas, usar os banheiros e até consumir bebidas encontradas nas residências. Além disso, em algumas situações, os agentes permaneceram por longos períodos dentro das casas, mesmo estando escalados para outras atividades de incursão.

O MP também apontou irregularidades no uso das câmeras corporais pelos policiais. Acusações foram feitas contra os agentes Rodrigo Rosa Araújo Costa e Diogo de Araújo Hernandes por obstruírem os equipamentos, resultando em gravações apenas de “tela preta”. O cabo Jorge Guerreiro Silva Nascimento foi mencionado por direcionar sua câmera de forma inadequada, prejudicando a gravação das ações durante a operação.

Os sargentos Douglas Nunes de Jesus, Carlos Alberto Britis Júnior, Bruno Martins Santiago, o tenente Felippe Martins e o cabo Diego Ferreira Ramos Martins também foram denunciados. As acusações incluem descumprimento de missão, pois alguns agentes deixaram de executar suas tarefas para permanecer em imóveis invadidos sem justificativa operacional.

A ADPF 635 funciona como um canal específico para receber relatos sobre possíveis violações de direitos durante operações policiais, reforçando a importância da transparência e da proteção dos direitos fundamentais.

A Corregedoria-Geral da PM instaurou um procedimento apuratório sobre a participação dos policiais denunciados. A Secretaria de Estado de Polícia Militar declarou que o relatório das investigações foi enviado à Auditoria de Justiça Militar e que a Corregedoria tomou medidas assim que tomou conhecimento dos possíveis desvios de conduta.

A nota oficial ressaltou o compromisso da corporação com a legalidade e a transparência, afirmando que não compactua com desvios de conduta e que adota medidas rigorosas sempre que as irregularidades são comprovadas.

As denúncias podem ser feitas pelo e-mail gaesp.plantao@mprj.mp.br ou pelo telefone 21 – 2215-7003, disponível também no WhatsApp Business. Informações adicionais sobre os canais de denúncia estão disponíveis na página da ADPF 635 no site do MP-RJ, onde é possível enviar imagens, áudios, vídeos e documentos relacionados a possíveis ilegalidades.

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