MPE exige explicações do governo Tarcísio sobre ação da PM contra motorista de Haddad em cinco dias

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Ministério Público Eleitoral investiga atuação da PM em possível intimidação a candidato em São Paulo.

O Ministério Público Eleitoral (MPE) instaurou um procedimento para investigar a atuação de policiais militares nas proximidades da residência do candidato Fernando Haddad (PT) na noite de terça-feira, 11. A gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi notificada e tem cinco dias para prestar esclarecimentos sobre o ocorrido.

A investigação foi motivada por uma representação da coligação Desperta São Paulo, que relatou que uma viatura da Polícia Militar teria utilizado lanternas para identificar os ocupantes do veículo em que Haddad estava. Após o desembarque do candidato, a viatura teria seguido o motorista, Alessandro Caseri, pela Avenida 23 de Maio.

O episódio culminou em uma abordagem nas proximidades do Hotel Pullman São Paulo Ibirapuera, onde o motorista teria solicitado informações aos policiais. Segundo relato, os oficiais teriam instruído Caseri a “vazar” após o contato.

O procurador regional eleitoral Paulo Taubemblatt declarou que os fatos podem configurar abuso de poder político e de autoridade, além de violação das normas que regem o uso de bens e servidores públicos. A medida adotada pelo MPE é preliminar e visa reunir provas para esclarecer a situação.

O secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, foi convocado a informar se houve autorização para o patrulhamento ostensivo na área do Planalto Paulista naquela noite e a justificar a operação, caso tenha ocorrido.

Além disso, a comandante-geral da Polícia Militar, coronel Glauce Anselmo Cavalli, deverá fornecer o plano estratégico e operacional do batalhão responsável pela região, incluindo os itinerários e ordens de serviço emitidas entre os dias 1º e 11 de agosto. A PM também deverá identificar a viatura e os policiais envolvidos no incidente.

O Hotel Pullman foi solicitado a entregar, no mesmo prazo, imagens das câmeras de segurança registradas após as 21h40 do dia 11. O procurador também determinou o envio de uma cópia do caso ao Ministério Público de São Paulo para análise de eventuais crimes de constrangimento ilegal e ameaça. A tramitação do caso foi prorrogada por 90 dias.

A coligação de Haddad sugeriu que o episódio pode estar relacionado a críticas feitas pelo candidato à política de segurança pública do atual governo durante um debate na Band, embora a retaliação institucional ainda não tenha sido comprovada.

A PM iniciou uma investigação preliminar sobre o caso. A Secretaria da Segurança Pública informou que está analisando imagens de aproximadamente 40 câmeras privadas ao longo do trajeto indicado pelo motorista, além de dados de geolocalização das viaturas. Até o momento, não foram encontrados indícios de abordagem irregular ou de interação entre os policiais e Haddad ou sua equipe.

Imagens registradas nas proximidades da residência de Haddad mostram uma viatura passando no momento em que ele desembarca do carro, por volta das 21h45. No entanto, a gravação isolada não é suficiente para confirmar se o motorista foi seguido ou abordado posteriormente.

O governador Tarcísio declarou em coletiva de imprensa que o motorista será convocado para um depoimento formal e que a investigação buscará confrontar seu relato com as imagens e outros elementos disponíveis.

Fernando Haddad afirmou que seu motorista se sentiu constrangido após ser seguido por cerca de cinco quilômetros e pediu a análise das gravações do hotel e do sistema Smart Sampa, com o intuito de esclarecer o episódio e, se for constatada conduta inadequada, obter um pedido de desculpas ao motorista.

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