Neurociência revela que a necessidade de histórias nos seres humanos vai além da obsessão por maratonas da Netflix
A importância das histórias na evolução humana e seus impactos na percepção da realidade.
A nossa relação com as histórias é profunda e remonta a tempos antigos, incluindo a era do Império Romano. Essa conexão é parte essencial do nosso processo evolutivo, uma vez que a neurociência revela que o hemisfério esquerdo do cérebro humano atua como um narrador, ajudando a dar sentido às experiências e ações cotidianas.
Esse narrador interno, que muitos gostariam de silenciar em certos momentos, tem a função de revisar nossas ações e oferecer explicações coerentes sobre elas. Essa voz nos leva a acreditar que estamos fazendo as escolhas certas e provoca reações emocionais intensas, como a tristeza ao ver um personagem querido em uma situação trágica.
Os neurocientistas identificaram um fenômeno conhecido como transporte narrativo, que se refere à imersão que sentimos em uma história. Esse narrador não processa informações de maneira abstrata; ele experimenta tudo como se estivesse acontecendo conosco. Assim, a intensidade das emoções que sentimos ao ler um livro ou assistir a uma série é resultado dessa imersão. Quanto mais eficaz for o transporte narrativo, mais vívidas se tornam as lembranças associadas a essas experiências.
Contudo, o desafio contemporâneo reside no fato de que estamos constantemente expostos a um fluxo incessante de histórias. A informação chega até nós por meio de dispositivos eletrônicos, onde o narrador interno não faz uma avaliação crítica da veracidade dos fatos, mas sim da forma como eles são apresentados. Essa mesma estratégia neural, que um dia nos ajudou a lembrar de histórias que garantiam nossa sobrevivência, agora nos leva a confundir realidades, tornando-nos vulneráveis a conspirações e notícias falsas.
